Como fazer amigos na escola se você é chato

Não consigo fazer amigos

2020.11.12 02:20 nucnut Não consigo fazer amigos

Eu nunca consegui fazer amigos daquelas amizades duradouras. Na infância sempre fui muito reservado, dificilmente me abria, então nunca tive aquele amigo de infância. Hoje eu não sou tão fechado assim, até diria que melhorei muito, mas por algum motivo eu não tenho amigos. Eu já tentei procurar em vários lugares, redes sociais, Internet, app, na escola as pessoas que eu conversava nunca mais eu vi, da faculdade ficaram apenas duas amigas, mas que moram em outra cidade então quase nunca eu vejo, e nessa pandemia eu senti o peso de ficar sozinho. Eu não sei qual problema que tenho, o porquê de nunca conseguir cultivar aquela pessoa em que você pode confiar e conversar sobre tudo, amizade sincera mesmo, eu não sei se eu que sou chato ou não sou atrativo como amigo, mas nunca senti falta de um amigo como sinto agora...
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2020.09.11 16:10 Golen_Br Música para aqueles que estão desanimados em VIVER!

O Bom da Vida


A diferença entre o bem e o mal
é uma linha bem tênue
frágil, como você e eu

Por muitas vezes veremos pai e mãe
tentando fazer o bem mas
não sai como o planejado

Acabam fazendo o mal
querendo o bem
Nem sempre tão certos
mas admitir que errou nem...

O mundo nos faz sofrer
até parece que a vida planeja desgraça
Mas pode ser que não seja assim
Já pensou nas coisas boas?

Bons marinheiros já disseram:
Depois da tempestade a bonância vem!

A quebradeira é necessária
por mais que doa, você supera!
Porque você não tá sozinha!
Seus amigos são pedreiros
que vão levantar tua nova casa

Com eles vai fazer
onde tinha uma kitnet
uma mansão...
...digna de se viver

Sei que é tenso, fácil falar e difícil fazer
mas é preciso, isso nos faz amadurecer.
A vida educa, a vida ensina, escola da vida
Todos dizem a mesma coisa mas ninguém me explica

Por vezes nossos companheiros
amigos, primos, colegas de turma
verão nossa tristeza e ajudar tentarão
mas as vezes não sai como o planejado

Acabam piorando tudo,
Meus Deus ninguém me entende!
Não é verdade, seus amigos de verdade
te amam de verdade!

O mundo nos faz sofrer
até parece que a vida planeja desgraça
Mas pode ser que não seja assim
Já pensou nas coisas boas?

Bons marinheiros já disseram:
Depois da tempestade a bonância vem!

A quebradeira é necessária
por mais que doa, você supera!
Porque você não tá sozinha!
Seus amigos são pedreiros
que vão levantar tua nova casa

Com eles vai fazer
onde tinha uma kitnet
uma mansão...
...digna de se viver

Deixa essa tristeza ir
embora.
Bora, agora, buscar a tua paz.
Outros momentos chatos podem tentar te destruir
repetir o que fizera antes, você não vai.
Agora que já sabe o que
há de bom na vida!

Compositor do Reddit
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2020.09.06 06:42 thebluecoala Decidi voltar pra terapia

Eu fiz terapia pela primeira vez a uns 7 anos atras. Na época, minha mãe me colocou lá pra "resolver meus problemas com o meu pai", e ficou revoltada porque "criei problemas com ela". No fim ela me tirou da terapia, mas paciência.
Conforme o tempo passou, e diversos eventos da vida ocorreram, eu comecei a piorar emocionalmente. Eu sempre fui uma pessoa mega ansiosa desde criança, a ponto de ter febre ou ter que ir no banheiro toda hora por estar ansiosa/com medo de algo. Desde que me entendo por gente eu rôo unha, e não teve Cristo que me fez parar com isso (base com gosto amargo? pimenta? meia na mão? esmalte? necas... dependendo o nível de nervoso eu chego a rancar sangue). Comecei a ter problemas de autoestima e autoconfiança, ao ponto de tirar 6 numa prova que valia 8 e ir pro banheiro da escola me mutilar porque não tinha sido bom o suficiente. Suicídio se tornou algo recorrente na minha mente, e cheguei a tentar algumas vezes (fracassei por mim mesma, não cheguei a causar nenhum dano de fato). A última vez foi na quarentena já, aonde eu simplesmente surtei, catei uma tesoura e num lapso de sanidade mandei msg pra um amigo pedindo socorro. Ele ficou até sei la que horas da madrugada conversando cmg até garantir que eu estava dormindo e fora de perigo. No dia seguinte conversou seriamente comigo sobre.
Bom... No meio desse caminho ai eu comecei com uns problemas bem chatos de digestão e tal. Fui no gastro e não teve outra: gastrite. Comecei a tomar remédio, melhorava por um tempo, ai o médico parava o remédio (porque ele não quer q eu fique dependente dele pra ter um estomago ok), voltava tudo... bem, um dia cheguei nele e perguntei: "doutor, será que se eu fizesse terapia ia ajudar?" pq além disso, eu pensava em voltar pra terapia, mas não tinha como bancar no particular, e o plano de saúde só cobre se for por encaminhamento. Pra minha sorte, o médico super concordou, disse q era uma ótima ideia, já que meu quadro tava claramente ligado com o meu emocional, e me encaminhou.
No início, eu fiquei com medo (ainda tenho por sinal) de ficar ouvindo besteira da minha mãe, pq é aquela coisa, depressão/problema psicológico é triste e preocupante no filho dos outros, no seu é frescura. Não dei muita corta, sempre q ela perguntava sobre eu cortava o assunto. Tive que fazer algumas sessões de terapia em grupo por norma do plano de saúde. Foi uma bosta, mas eu botava na minha mente que era pra um bem maior: o meu bem.
No fim da ultima sessão em grupo, preenchi um formulário sobre disponibilidade de horário, que iriam me ligar pra agendar minha primeira sessão individual. Coloquei que estava disponível pra qualquer horário (era fim de dezembro, então as aulas estavam no fim) e boa. Era só esperar...
Janeiro veio.. Fevereiro também... Março tava ai... e nada. Até que no dia 11/03 (lembro até a data) me ligaram falando que tinha horário pro dia seguinte a noite, se eu podia ir. Eu tenho recomendação médica pra não dirigir a noite por conta da vista, mas foda-se cara, to a um tempão esperando por isso. E lá fui eu pra minha primeira sessão individual.
Conversei bastante com a psicologa, falei dos meus principais problemas, a gente pareceu se entender muito bem, foi bem legal. Marcamos minha próxima sessão e boa... se não fosse que no dia seguinte amanheci doente com dengue (pela segunda vez) e fiquei doente por uns 10 dias. No fim desses 10 dias veio a quarentena, fechou tudo, e lá tava eu sem terapia DE NOVO.
No inicio me ofereceram fazer por videochamada, mas minha mae tava sempre em casa e eu sabia que ela ia ficar bisbilhotando, então preferi negar. E ficou por isso mesmo..
Nessa quarentena muita coisa aconteceu, minha vida mudou muito, eu mudei muito, e de uns tempos pra cá me pego direto em umas oscilações de humor ridículas, tendo crise de ansiedade uma atrás da outra, pensamento suicida do nada (to lá rindo de alguma coisa besta e começo a pensar o quanto algo é ruim e enfim... entro em loop). Não é mais como se meu emocional fosse um constante problema, mas sim uma coisa desforme e mutante que cada hora tá de um jeito e eu não sei como vou acordar amanha. Vou acordar bem e conseguir viver? Vou acordar querendo morrer e simplesmente ignorar a existencia de todo mundo? Vou estar com uma raiva tão grande do mundo que vou descontar em quem não deve? Essa inconstância é horrível.
Pensando muito sobre isso esses dias, e percebendo que até quando as coisas dão certo eu acho motivo nelas pra ficar triste, eu decidi voltar pra terapia. Vou esperar passar o feriado e ligar lá e ver se consigo fazer presencial com mascara e o caramba, ou então tentar arrumar um horário por videochamada que minha mãe não esteja em casa. Eu só não aguento mais sentir q meu potencial como ser humano ta limitado em 0.5% porque meu cérebro ta desequilibrado. Eu não aguento mais sofrer dentro de mim mesma, olhar pra mim e perceber que tudo dentro de mim é caos, e que eu não tenho um apoio sequer pra saber por onde seguir. A inconstância e a insegurança dentro de mim são tão absurdas que eu sinto sim que um dia elas vão me matar. Que um dia eu vou decidir enfiar uma faca no meu estomago e ninguém vai estar por perto pra me parar... Então enquanto eu ainda tenho chances e oportunidades, só me resta tentar.
Obrigada se você leu até aqui.
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2020.07.29 20:42 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

(Postei primeiro no desabafos, mas resolvi postar aqui também)
O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.
Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.
A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.
A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha
Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
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2020.07.29 20:24 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.

Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.

A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.

A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha

Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
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2020.05.26 17:15 andersonZ3A Minha história de vida e por que eu sofro de depressão desde os meus 12 anos

Olá olá, essa história começa em 2014 eu estava fazendo o 4° ano, e eu sofria muito bullying e não tinha uma base familiar muito boa, minha mãe teve que separar do meu pai quando eu tinha 1 ano de idade e eu cresci sem pai, e quando eu tinha 6 anos de idade minha mãe casou com o meu atualmente ex padrasto, ele era bem chato, exemplo eu não podia comer nada em casa que ele reclamava, falava para minha mãe que eu ia virar um drogado e etc etc, e quando minha mãe casou com ele a gente mudou de cidade, então eu perdi todos os meus amigos e tivemos que começar de novo em outra cidade (eu não consegui fazer muitos amigos aqui) mas minha mãe não era feliz com esse meu padrasto (obviamente) então ela decidiu voltar para a nossa antiga cidade e novamente começar de novo e aqui que vem o 5° ano, eu sofria muito bullying e não tinha muito apoio familiar e aqui que vem o problema que vai mudar minha vida, as coisas não deram muito certo nessa cidade que estávamos tanto para minha mãe tanto para mim... Então minha mãe decidiu retornar para nossa antiga cidade e voltar com meu padrasto, a vida era uma merda mas tudo ok, então eu fui para o quinto ano e... Aí que tudo começa eu tinha muito desânimo e tristeza teve uma vez que eu comecei a chorar do nada na sala e eu fiquei " o que tá acontecendo por que estou chorando?" E por causa desse desânimo eu tinha notas muito baixas e então eu reprovei de ano aquilo abalou minha moral de verdade e então eu fiz o 6° ano de novo conheci alguns amigos legais, mas o desânimo e a tristeza continuaram e no fim do ano uma professora... A minha professora de história no último dia de aula que eu só fui para falar uma última vez com esses amigos, falou que não entendia porque que eu vim no último dia de aula e ela falou que "alguns" alunos aqui iriam virar vagabundos e etc etc, eu ouvi aquilo realmente sem acreditar ela tava falando isso claramente para mim, meus amigos foram para o 7° e depois foram para outra escola, eu só piorava até nas férias na época que a professora falou aquilo, eu como medita desesperada para parar isso decidi visitar meus primos que eu considerava bastante, mas antes disso eu estava chorando sem motivo atrás da porta e minha mãe viu, pela primeira vez e ela ficou preocupada e supôs que eu estava com depressão, e perguntou se eu queria mesmo fazer essa viagem e eu disse que sim, então eu fui para lá... Porém foi a pior viagem da minha vida, eles me chamaram de burro, eu estava fazendo meu curso online de inglês e minha tia viu e falou " Anderson você não consegue nem passar de ano... Imagina falar inglês" Meu tio chamou eu de burro E foi realmente uma merda, então eu fui para casa antes do previsto, foi para a casa do meu pai antes na verdade eu nem queira ficar lá minha ""irmã"" (filha da minha madrasta que é uma filha da p) me convenceu de ficar lá e eu conheci uma Menina ela gostava de alguns assuntos legais que eu também gostava e eu queria que ela podesse dormir lá para a gente fazer um "club de literatura" a noite mas eu tinha que pedir para minha madrasta, eu não lembro se eu pedi ou não mas ela não deixou ou eu não pedi, tudo bem por enquanto, então algumas amigas da minha madrasta iriam ir visitar ela e ela decidiu fazer um churrasco na casa da minha vó, eu não quero ir nem fudendo mas ela me obrigou a ir, e eu como estava na casa dela meio que ok né? Não tenho escolha, ent lá no churrasco eu tava andando pelo bairro até que meu pai me chamou para apresentar eu as visitas aí eu pensei "ok né super normal" então quando eu vou lá e cento perto do meu pai ela fala a seguinte coisa na frente da família inteira " sabia que o Anderson queria transar com uma menina lá em casa ?" Mano... Eu tava deprimido pra caralho e nem pensava em fazer isso, fiquei em choque quando eu vi que a família não consegui dizer nada e tava com uma mistura de muita vergonha e ódio, então depois eu sai de lá e fui para um banco um duas quadras acima de lá e fiquei lá, refletindo sobre aquilo, e fiquei pior ainda, então eu voltei para casa e comecei o 7° e dessa vez eu passei porque os professores não podiam me reprovar mais e caramba eu faltava sempre não tinha vontade de fazer porra nenhuma e eu comecei a ter que ir para a psicóloga que não mudou nada, passei de ano como o esperado, então completei 15 anos, eu fui para o EJA e eu sempre quis ser um cientista, mas como um estudante do EJA vai ser um cientista e meio que desisti de escola por um tempo mas decidi voltar em 2020 por causa da minha mãe implorar e minha escola está parada por causa da pandemia
E com tudo isso eu tive depressão e um ódio profundo por todos os meus familiares TODOS MESMO e eu acho que sou assexual, Enfim essa e minha história
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2020.04.01 02:43 JPiniie ALDNOAH.ZERO É BOM SIM!

ESSA É UMA RESPOSTA AO BLOG DA SHANA: http://hishoku-sora.blogspot.com/2016/08/resenha-sobre-aldnoahzero.html ELA FEZ UMA RESENHA SOBRE O ANIME CHEIO DE CRÍTICAS NEGATIVAS, AQUI ESTÁ MEU COMENTÁRIO, NÃO QUERO OFENDER, ATENÇÃO AO SPOILER:
Oi moça. Estou aqui para refutar sua resenha, porque, meu deus, Aldnoah.Zero é o meu anime preferido. Eu entendo completamente a senhiria não gostar, eu acho que, esse anime, ou você ama ou não, sabe? Eu também nunca gostei de macha, mas não sabia que era quando comecei a assistir, sobre a base do enredo, toda a parada de marcianos contra terráqueos, eu acho que um tema ótimo, que dá para explorar bem, fazer muitas críticas e observações. Então eu fiquei bem animada. Dá para conectar perfeitamente com a realidade, porque, afinal, conflitos políticos é algo tão real e revela o lado mais egoísta do ser humano. Vejo que concordamos sobre animação e trilha sonora (perfeito, não? Eu baixei a música tema e escutei por horas enquanto desenhava).
O que me deixou bem reflexiva na história foi em relação a uma crítica, a exploração exagerada dos recursos naturais do planeta. Os humanos estão errados mas nós somos levados a torcer por ele, sim o protagonista é um terráqueo e seus amigos ficam do lado dele, se for para para perceber aqueles adolescentes estavam lutando ao lado dos terráqueos pelo simples fato de serem terráqueos, de serem induzidos a isso assim como seus pais o induzem a uma religião, por exemplo, é o nosso egoísmo e egocentrismo colocado a prova. O nível de ignorância é alto, eles não consideram oos motivos dos versianos muito menos tentam resolver de forma que ajude aos dois povos, isso também acontece com os marcianos de modo que a disputa política parte para objetivos pessoais e a necessidade de ganhar, afinal, ninguém gosta de perder, assumir os defeitos. (Ahh... eu não sei explicar direito, por favor, entenda)
SOBRE OS PERSONAGENS:
Inaho, o protagonista, não gosto muito dele, assim como todos os protagonistas. Os protagonistas são sempre o centro do desenvolvimento e acabam sendo padronizados, chatos e eu quero ir contra eles, mostrar que sou melhor que eles, mas minha raiva por Inaho foi pior do que isso, porque além de ser protagonista ele era perfeito, literalmente (?). Como eu posso confrontar Inaho? Como posso refutar suas ações? Como posso não apoia-lo? Ele é tão incrível e isso dá raiva. (A mesma raiva que me deu quando minha amiga começou a tirar notas melhores que eu na escola, eu perdi o posto de Nerd, a única coisa que eu tinha de interessante. Pá! Vamos para outra questão:) O passado de Inaho eu não queria que você explorado, ele seria mais centralizado ainda (as coisas realmente giram em torno dele. Ele muda um meio, isso é característica de grandes heróis, grandes protagonistas). Minha suposição sobre sua motivação, sobre seu jeito de tentar ser perfeito, é o fato de, ele não consegue ser mais "interessante" (talvez não seja a palavra correta). Inaho não tem nada que realmente marque sua vida a não ser suas habilidades, os amigos não parecem animar ele, como uma pessoa depressiva que não percebe as outras coisas legais ao redor dela, ele é frio e acha o mundo sem graça. Sua escapatória são esses robôs (é assim que eu chamo? kkk) Ele é boom naquilo, ele se destaca naquilo, sua vida é aquilo. Por mais que os adultos o usem, isso porque eles visam o bem maior (não importa que Inaho se esgote, se machuque. Precismos sobreviver e mais do que isso: vencer), ele sente que adquele modo ele se torna grande e sua vida ganha sentido. Ele tem total controle sobre as mudanças, ele tem como se fosse um objetivo marcado, ele sabe que é bom naquilo, portanto ele vai fazer aquilo. A única que o impede é sua irmã, sua irmão, a família, aquela que visa o bem particular de seus amados e não o geral. Ela é como se fosse: fodase a Terra, meu irmão é mais importante. Somos, pelo menos a maioria, assim com a família.
Ahhh! Inaho é tão fantastico, eu quero ver alguém parando ele. E aí entra nosso segundo personagem meu predileto tbm), Slaine Troyard:
O final do Slaine foi muito amrgo mesmo, eu talvez (TALVEZ) tenha derrubado algumas lágrimas, eu sabia que aconteceria, se fosse um final feliz não seria tão bom. O que me deixou irritada foi você falando de falha na excução do enredo, poie eu irei refutar. Let's Go!
Eu tentei gostar de outro personagem, e por um momento foi realmente assim, mas a forma como o Slaine cresce, de uma maneira tão complexa no anime me encurralou. Foi impossível não ama-lo, eu creio que eu tenha me indentificado com toda a jornada. O objetivo principal dele foi mesmo proteger a princesa. Sua lealdade (e talvez amor) é tão forte, ele tem esse objetivo. Eu realmente pensei que ele iria se encontrar com os terráqueos, eles iam compartilhar objetivos em comum, e a raiva pelos marcianos corruptos filhos de uma carrapata,e iam lutar juntinhos e felizes até o final.
Como Slaine não conseguiria proteger a princesa sendo o Slaine, o humano, ele teve que batalhar, ele teve que subir ao poder para conseguir o que queria. Mas, a partir do momento emque ele mata seu chefe (esqueci o nome do cara) é como se as peças dendo de sua cabeça estivessem corrompidos. Slaine, tão bonzinho, matou alguém. Se ele fosse realmente bonzinho duvido que seriaa ssim, de certa forma, mesmo que inconscientemente, Slaine guarda mágoas por todo abuso que sofreu. Ele vai aos poucos descobrindo mais coisa e fazendo mais aliados. Até chegar um ponto (a segunda temporada) em que ele percebe que ser bom é uma ova, o mundo, ou os mundos, é uma merda. Ele chega ao topo, totalmente confuso, a princesa agora já luta contra ele, como disse ele precisa escolher um lado. Lutar com os marcianos, mas porque esse lado? O orgulho de Slaine já não pode mais ser ferido. Tudo o que ele tinha como objetivo era a princesa e Inaho, principalmente, tirou isso dele. Ele chegou ao topo, mostrou a todos os versianos que mesmo humano ele tinha valor e poder ali. Finalmente estava sendo respeitado. Slaine está tão confuso, ele chegou tao longe para no final não saber o que fazer, perdido o orgulho é a última coisa que o resta. Slaine Troyard é um Cavalo de Troia (o nome dele só pode ser por causa disso), no início tão bom, inocentes, mas as injustiças, as dores da vida revelam Slaine como um orgulhoso, egoísta. Quando ele perde tudo ao menos ele tem que permanecer como vencedor na guerra, sem humildade. Não existe humildade nesse anime. Ou será que existe. A princesa loira parece tão santa, vamos lá:
Você realmente falou muito bem da princesa. Então não vou dizer muito além da minha opinião pessoal (até porque nesse ponto já estou com muita preguiça de escrever). Na verdade, acho que desejo trazer junto a Rayet. A Rayet, pera mim, parece um milhão de vezes mais legal que Alussia. A princesa é como uma mulher forte que gera invjea nas outras (eu e Rayet somos mulheres), ela é decidida e sabe como cuidar de si e do que lhe importa. De algum modo, mesmo sendo bem correta, a considero, certos momentos, muito ignorante. Tem uma imagem dela levando o Slaine a espinhos, bem o que eu penso. Alussia é uma mulher invejável e grande, mas por conta disso os menores ficam invisíveis. Asseylum se preocupa com aquilo que lhe diz respeito, a paz que ela quer levar as nações, as pessoas que ela quer proteger. Mas ela não tem a capacidade de enxergar o pessoal, é como se ela visse omo uma salvadora, ela é mesmo a imperatriz, a que pode mudar tudo, ela se coloca em uma papel tão grande que não consegue enxergar o papel INDIVIDUAL dos outros. Ela tava cagando pro Slaine até ele ameaçar o seu objetivo. Rayet, nunca foi bem enxergada por Alussia, com isso, eu quero dizer que, Alussia não enxergava os profundos sentimentos de Rayet, e quando esta tentou assassinar ela (foi radical, tava vendo na tv a cena e mds!) ela a perdoa, entende seu lado e diz que tá tudo bem. Mas isso não faz Rayet se sentir melhor, claro que não. Faz Rayet se sentir mais como um lixo, ela é mesmo um lixo e tem conciência disso. Uma traidora e perto de Asseylum ela é mediocre, horrível, egoísta (acaba superando depois, não tem mais o que fazer). Rayet para mim se tornou uma das personagens mais humana.
Alussia nasceu em um berço de ouro, ela tem poder, vontade e personalidade que tornam possível ela mudar tudo, Rayet é uma vítima da situação que mal valorizada é, ela se rebela e é julgada, Slaine não tem poder para mudar a corrupção, salvar a princesa, ele alcança tal poder mas as circunstâncias o colocam em um beco sem saída, ele toma a decisão que a grande maioria tomaria e acaba de alguma forma levando quase toda a culpa, destruído pelo orgulho, obrigado a se render, sua rebelião foi falha. Inaho só existe (mentira kkkk) mas seriamente, mesmo girando em torno do Inaho o anime nos deixa levar pelos outros personagens como se ele não passasse de um mediador (me lembra os protagonista de persona persona ) Ele simplesmente tem o dom da sabedoria e as circunstâncias estão sempre a favor dele, naõ precisa se esforçar ou sofre além da conta, no fianl ele tá bem, ele fez tudo certo e consegue manter seu orgulho, sua vida e seu bom posto (entenda assim: Inaho= Goku; Slaine= Vegeta). Não estou digredindo a princesa/Inaho nem nada, mas a vida parecer tão injusta para algumas pessoas é algo completamente realista. Muitas pessoas são vítimas de acontecimentos e se fodem. Não tem como mudar isso, e ninguém vai te escutar e saber sobre sua história tristinha sobre o o passado, as pessoa não ligam para você, ligam para elas, sem humildade. (me lembra Momento dos 18, drama que me deixa super agoniada com as injustiças, mas é ótimo. Assista!)
Meu anime favorito, eu preciso defende-lo. Obrigada por ler até aqui! Eu posso falar de outros personagens, é só pedir, e também esclarecer algo que não ficou claro. ^-^
(a lua foi destruída porque houve uma guerra na base marciana)
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2020.03.16 05:03 justverdant Relacionamentos

Boa noite,
Eu tenho 19 anos e passo várias noites aqui lendo depoimentos de outras pessoas, gosto muito do ambiente, vocês são bem legais. Eu só quero desabafar aqui, e se alguém quiser opinar, to aberto
Nunca fiz sexo na minha vida e também pouco me importa isso, não entendo porque a maioria das pessoas vê isso como algo estranho. Não vou atrás de garotas, eu sempre achei que iria namorar cedo mas conforme o tempo foi passando, percebi que o que eu tinha é somente carência. Eu saía bastante até meus 14 ou 15 anos, mas depois eu comecei a me isolar, não me encaixava em nenhum grupo. Me sinto deslocado e estranho em festas e é por isso que sempre quando eu saio procuro beber o máximo que posso, pra esquecer um pouco dessas coisas. Estar num aglomerado me faz sentir mal. Dizem que pode ser ego, mas eu não sei.
E, voltando, não é que eu não goste de mulheres, eu adoraria namorar, mas eu acho o processo meio chato e quando penso só desanimo. Acho que quando a gente encontra a 'pessoa certa', não se torna uma coisa chata e burocrática, você só gosta da dela quer conversar pra saber como foi o dia ou qualquer coisa. Chega uma hora que começa a parecer que falta algo e a sentir um vazio. Relações de afeto me fazem falta. E não falo somente de alguém pra namorar, mas de amizades também. Nunca faltou amor dos meus pais, sempre tive uma grande família presente e mesmo assim eu não consigo tirar isso da cabeça, de achar alguém que eu possa falar e contar pra tudo.
Eu tenho 3 amigos que continuo tendo contato depois da escola, que estudaram comigo desde o jardim de infância, mas mesmo com eles não me sinto à vontade de falar sobre. Sinto uma dificuldade enorme de fazer novos amigos, apesar de confiar facilmente nas pessoas. A maioria dos contatos que tenho são de amigos ou amigas virtuais e, não sei porque, mas com eles eu falo normalmente sobre meus problemas, mas às vezes falta uma coisa física, um abraço ou tanto faz.
Não consigo olhar nos olhos das pessoas quando falo com elas, talvez por problemas de confiança e, consequentemente, por isso não tenho coragem de fazer algo pra mudar.

Joguei alguns assuntos aleatórios aqui porque eu precisava mesmo desabafar
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2019.12.23 03:19 WhackedbutSmooth Saudade dos velhos tempos...

Hoje eu resolvi fazer uma coisa que não fazia há algum tempo. Jogar Minecraft. Exatamente. Quis relembrar os velhos tempos. Aquele tempo em que minha única preocupação era fazer o dever de casa. Não digo que agora sou uma pessoa muito ocupada, mas vocês sabem como é, as coisas não facilitam com o crescimento.
Eu entrei na versão 1.5.2, que era a versão que eu comecei a jogar, lá em 2013 (nem sou tão old assim). Eu tinha 11 anos.
E era muito foda. Eu e meus amigos jogávamos em um servidor muito daora (Wincraft), sempre pegava 200 pessoas jogando, sem falar quando tinha Evento Gladiador, não dava nem pra entrar de tão cheio que ficava haha.
Eu sinto muita saudade disso. No começo só eu jogava. Fiz vários amigos, uma pena que nunca mais conversei com eles. Fico me perguntando o que o murilo33 e o Slayer39 estão fazendo agora. Sinto saudade deles.
Aí depois de um tempo eu introduzi esse servidor aos meus amigos da escola. E isso foi muito bom. A gente ia para a escola de tarde e depois da escola todo mundo se reunia no Skype para jogar. Era uma putaria a chamada (desculpe o termo). No mínimo eram 5 crianças gritando no microfone, de fundo o Jornal Nacional passando, a mãe no telefone ou um liquidificador ligado. A gente ficava das 19h até 00h jogando. E a gente não cansava, era todos os dias.
Aí depois de um tempo, o servidor começou a falir e paramos de jogar. Jogamos nesse servidor por uns 2 anos. Para vocês terem noção, no meu perfil eu tinha registrado 9 mil baixas ao longo desses anos kkkk.
Uns meses depois recebemos a notícia que o servidor fechou. Ficamos um pouco abalados, mesmo não jogando mais. É que todas nossas contas foram embora, junto com os itens que tanto lutamos para conseguir.
Eu sinto falta desse tempo até hoje. Nenhum jogo foi capaz de nos reunir desse jeito. Nós já tentamos procurar outros servidores, mas não é a mesma coisa. Nenhum servidor trouxe a magia que aquele nos trouxe. Além disso, a gente vai crescendo e nos tornamos cada vez mais "chatos", digamos. Aquele servidor era perfeito. De histórias para contar eu tenho de todos os tipos, uma pena que ficarei dias escrevendo aqui hahaha. Mas vou resumir uma história cômica para vocês:
Ano: 2015. Estávamos no sexto ano do ensino fundamental. Na minha escola era proibido ter corretivo no estojo, e um belo dia meu amigo Lucas (nome fictício) dedurou o Sérgio para a professora (ele tinha um corretivo). Nisso, Sérgio ficou full pistola e sabe o que ele fez com Lucas? Entrou no servidor, pegou um machado de diamante e quebrou toda a casa de Lucas no servidor. E Lucas só foi descobrir disso um ano depois haha.
É isso. É bobo, mas relembrar disso me faz muito feliz. Eu nunca vou esquecer esse jogo. Nunca vou esquecer meus amigos que fiz no servidor: murilo33, Slayer39, fox, dudis, beton, carloaale e meu amigo de Canoas que não lembro o nickname, seja lá onde estiverem, espero que vocês estejam muito felizes e realizados. Eu sinto a falta de vocês! Obrigado por me proporcionarem momentos tão felizes e verdadeiros!
Obrigado por ler até aqui, desculpa o textão.
E você tem algum jogo que vai levar para o coração? Se tiver uma história old conta pra nós!
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2019.09.11 16:22 Guigzzt Minha História (Noob) com RPG de Mesa

Opa galera, como estão, tudo na paz?
Pessoas, eu decidi compartilhar com vocês como está sendo minha experiência/história com RPG de mesa porque eu acredito que isso possa inspirar novos jogadores, buscar respostas para algumas dúvidas e aproveitar para passar algumas dicas do que eu aprendi nesses últimos meses como o mestre noob de um grupo mais noob ainda.
Eu tenho 27 anos e atualmente jogo com outros 4 jogadores, todos da mesma faixa de idade. Somos amigos desde a época de escola e sempre jogamos mmos juntos, principalmente se tratando de Tibia. Ao longo de todo esse tempo sempre ouvimos falar sobre RPG de mesa mas nunca resolvemos jogar de fato. Para falar bem a verdade esse tipo de jogo nunca nos despertou tanto o interesse, parecia algo ultrapassado ou defasado (pra que jogar faz de conta se hoje em dia temos computadores e consoles com jogos de RPG como Witcher ou Skyrim, não fazia o menor sentido).
Lá por fevereiro deste ano fui com esses amigos em uma loja de produtos nerds em Porto Alegre atrás de um jogo de tabuleiro e o vendedor nos apresentou o manual básico de Tormenta. Ele nos deu uma breve explicação de como funciona o jogo, as regras, o papel do jogador e do mestre e como fazer as fichas. Todos ficamos um pouco animados com aquilo, principalmente eu. Sou amante de literatura desde criança e histórias de fantasia sempre foram uma fascinação. Folheei o livro por alguns minutos e decidi comprar o pacote completo. Manual, jogos de dados e fichas impressas. Tínhamos tudo o que precisávamos pra jogar e já combinamos uma noitada de RPG pro mesmo dia.
Ser o mestre não foi minha escolha própria, jogaram no meu colo porque era o único do grupo que gostava de leitura e sinceramente eu fiquei bem frustrado na hora porque minha empolgação era jogar e não ter que fazer o jogo. Mesmo assim, matei no peito e quando cheguei em casa comecei a ler o livro. Passei algumas horas entendendo as regras mais básicas e depois desse tempo eu me convenci que era impossível eu fazer uma aventura naquele espaço de tempo. Foi frustrante ter tudo aquilo e não poder jogar mas pelo menos usamos parte da noite pra criar as fichas (acho que levamos umas 3 horas pra terminar kkk). Me prontifiquei a criar uma aventura durante a semana que se seguia e já deixamos marcado para o outro sábado a jogatina. Eu fiz o download de uma versão em PDF do manual que me permitia ler durante os espaços de tempo livre durante o trabalho e no período da noite focava em criar a aventura.
Depois que comecei a ler o manual, peguei interesse pelo universo do Tormenta e seus personagens. Não demorou muito pra eu baixar todos os outros livros. Isso me deu uma enorme empolgação e comecei a esboçar o que viria a se tornar a jornada dos jogadores. Eu pensei grande logo de cara, decidi criar uma campanha ao invés de algo mais episódico porque assim eles poderiam evoluir seus personagens e avançar pela história à partir do nível 1. Também resolvi não usar o universo de tormenta de maneira fiel porque teria que gastar muito tempo lendo pra entender toda a história do cenário e no final das contas não daria para fazer tudo no prazo curto que eu tinha. Sendo assim, utilizei elementos do Tormenta, como mapas, cidades, personagens, mas criando uma história própria porque ao meu ver seria mais fácil do que estudar tudo isso logo de início. Fiquei os 5 dias da semana focado nessa aventura e 1 dia antes de jogarmos eu sentia que ainda faltava um monte de coisa. Virei a noite de sexta pra sábado trabalhando para deixar tudo pronto e a conclusão que eu tirei no fim disso tudo era que mestrar não era só alegria, dava um trabalho monstruoso. Mas tudo bem, trabalho feito, tava tudo perfeito, partiu pra sessão. Peguei manual, dados, mochila, café e muita vontade de botar em prática toda aquela mão de obra absurda e não remunerada da última semana.
Sentamos na mesa, todo mundo com fichas em mão e comecei a narrativa. De início expliquei o background de cada personagem porque dos 4 aventureiros na mesa, 3 não quiseram sequer inventar de quem eram filhos, o que comiam e de onde vieram. Aliás, essa foi a primeira coisa que aprendi logo de cara. Existem tipos de jogadores. E cada tipo de jogador tem um perfil na mesa de jogo. Um dos meus amigos passou a semana escrevendo a história do Elfo ladino dele, chamado Amarash, que daria facilmente um livro inteiro só pra biografia do indivíduo. Os outros 3 só queriam uma coisa. Sangue e morte. Definiram que eram caóticos e malignos e isso era o suficiente pra eles.
Em seguida, dei uma breve introdução e comecei a narrar o jogo em si. Aqui, meus amigos, entra a segunda lição importante que você que está começando a mestrar nunca deve esquecer. Lembrar disso serve para evitar que você perca uma semana de sua vida em questão de minutos. Sim, é isso mesmo, o grupo levou MINUTOS para acabar com minha história e quando menos percebi estava improvisando TUDO! No desespero eu comecei a criar barreiras e reduzir a liberdade de escolha dos jogadores para que eles se mantivessem no caminho certo e mesmo assim nada saiu como o planejado. É lógico que todos notaram e isso reduziu demais a diversão. Durante o jogo eu fiz naturalmente esses "ajustes", só que lá no final da noite quando terminamos eles me criticaram nesse ponto quando perguntei o que estavam achando. Isso foi um choque é claro, mas tive que concordar. Com isso eu aprendi que é primordial não reprimir os jogadores, não retirar da mesa a sensação de liberdade de escolhas, porque essa é a graça do RPG, você inventar estratégias mirabolantes para resolver os problemas que surgem.
Na semana seguinte eu resolvi me adequar e fazer as coisas de outra forma. Eu sabia que tinham coisas muito erradas no modo como estava criando a aventura. Eu escrevi roteiros imensos com falas de PDMs e definia até as condicionais pra cada escolha. Quando parei pra pensar eu vi o exagero daquilo e que não tinha como dar certo de forma alguma justamente porque era impossível saber de fato o que os jogadores iam decidir a todo o instante.
Nesse momento eu percebi que não deveria criar um roteiro pro jogo, mas sim um cenário. Desta maneira, independente do que os jogadores escolhessem fazer eu estaria pronto, eles estariam dentro do espaço da minha aventura. Em um roteiro eu determinava uma sequencia para os eventos que muitas vezes eram necessários para o avanço correto da história, e se os jogadores pulassem esses eventos quebravam tudo e eu partia pro improviso ou reprimia a liberdade para mantê-los no eixo.
Em um cenário as coisas não acontecem assim. Nesse caso eu defino quem os NPCs mais importantes são, sejam amigos ou inimigos e a liberdade é dada aos jogadores para resolverem o problema da maneira que bem entenderem. A regra principal que eu aprendi é NUNCA depender da escolha dos jogadores para que o gancho na história aconteça. Faça o que os aventureiros fizerem a história precisa avançar e é criando o cenário pra aventura que eu aprendi a controlar isso de maneira bem eficiente. Agora tenho muito menos trabalho ao criar a aventura e o jogo ficou muito mais divertido porque a liberdade é total e não existe nenhum tipo de repressão das escolhas.
Se tratando de mestrar, eu também aprendi outra coisa importante que demorou mais do que deveria pra entrar na cabeça e também só fui corrigir quando os jogadores resolveram reclamar. No início eu era o tipo de mestre inimigo dos jogadores. Eu não me importava com nada a não ser a completa derrota deles. A minha ideia era de que os aventureiros eram meus inimigos e eu deveria fazer com que fossem derrotados. Essa ficha caiu quando um dos aventureiros morreu por conta de um inimigo absurdamente mais forte que eu coloquei sem a menor chance deles enfrentarem. O único bom senso que eu tinha era relacionado à continuidade da história e eu não aliviava a barra de maneira alguma independente do que acontecesse.
Quando a gente começa a mestrar é muito legal a sensação de controlar o jogo, o que acontece em seguida, qual inimigo vai aparecer, como o universo vai reagir ao redor dos personagens. É muito fácil você perder o controle diante disso e esquecer o foco principal do jogo que é a diversão mútua. Na atualidade eu já aprendi a dosar muito bem as situações e colocar tudo na balança. Por diversas vezes eu salvei os jogadores pela diversão ou como recompensa por boas condutas em outras sessões. Em contrapartida, condutas ruins na mesa também ficam registradas e são cobradas mais tarde com menos flexibilidade em situações difíceis. Eu acredito que esse balanço seja fundamental para o bom andamento do jogo e para garantir a diversão de todos.
No geral já fazem 8 meses que estou mestrando essa campanha pra eles e finalmente está chegando próxima do fim (pelo menos da história que eu tinha programado). Nós acertamos em fazer uma sessão por final de semana. Nem sempre é possível porque alguns trabalham, mas normalmente dá certo (o maior tempo que ficamos sem jogar foi de 15 dias).
Eu ainda me considero muito iniciante quanto à mestrar e ainda tenho um mar de dúvidas em relação à isso. Uma coisa que me intriga de verdade é se realmente mestres mais experientes conhecem a fundo todas as regras, magias, talentos e habilidades. Apesar de ler e reler tudo o tempo todo ainda tenho muita dificuldade de gravar tudo isso, principalmente magias, talentos e etç. Ainda preciso parar bastante o jogo pra procurar no manual a definição dessas coisas e sinto que essas paradas em momentos mais empolgantes cortam completamente a emoção do momento. Sendo bem sincero, eu invento regras as vezes só para que a situação que está muito legal não seja interrompida por uma eterna busca no livro.
O saldo no final das contas está muito positivo e como eu sei que meus amigos são sinceros (até demais) eu tenho confiança que estão achando muito legal até agora. Eu inseri na campanha elementos de tudo que eu já absorvi na vida envolvendo filmes, livros, games, séries e etç. Um elemento que fez sucesso uns tempos atrás foi retirado de Chapolin, acredite.
Só pra terminar, gostaria de compartilhar com vocês o evento mais lendário de nossa campanha até o momento, até pra colaborar com o outro post do sub que pede justamente pra galera compartilhar esse tipo de coisa.
Eu gosto muito de inventar itens para dar de recompensa em momentos mais importantes. Certa vez eu pisei na bola ao criar um item que se mostrou absolutamente problemático. Parte da minha história consistia em encontrar a tumba de um arcanjo que foi sepultado junto da sua espada (o item em questão).
Essa espada continha um poder abismal, ela matava instantaneamente qualquer coisa que fosse tocada pela sua lâmina (SIM EU FIZ ISSO KKK). Lógico que eu não era louco de simplesmente entregar um item assim pra ser usado sem controle. Quando os jogadores encontram a espada eles descobrem que ela não está intacta, mas que antes de morrer o arcanjo, prevendo o perigo que ela representava graças ao poder que ela continha, tentou usar suas últimas forças para quebrá-la em pedaços. Ele não foi feliz nisso, o máximo que ele conseguiu foi deixar a lâmina com rachaduras e acabou morrendo em seguida.
As regras para usar o item eram as seguintes: O jogador era obrigado a ter talento para manipular espadas de duas mãos e sempre que usasse a espada deveria rolar 1d% para tirar na sorte se a espada iria quebrar ou não com o ataque. A chance de quebra que eu defini foi de 50%, ou seja, se tirassem abaixo disso ela se despedaçaria. Por último, utilizar o item consumiria toda a energia do personagem. Isso significa que sempre que utilizassem a espada independente do resultado o jogador cairia desacordado por 24h.
A criação deste item foi planejada para que os jogadores pudessem derrotar um inimigo específico que era muito mais forte e que iria aparecer no futuro. O problema é que até isso acontecer eles começaram a usar a espada para qualquer inimigo mais poderoso que surgisse. Aí junta isso aos pontos de ação que eu ia distribuindo por conta de boas condutas, jogadas brilhantes e tal, então basicamente, sempre que a espada quebrava eles tinham como rolar o dado novamente. Isso começou a ficar chato demais e depois de um tempo eu decidi destruir essa espada. Em determinada masmorra do jogo eles estavam enfrentando um oponente bem desafiador que tinha dois guardiões para protegê-lo. Era uma luta 4 x 3 que estava realmente difícil e dois dos jogadores já estavam para cair a qualquer momento.
Nessas alturas eu já tinha consciência de que não podia interferir diretamente na questão da espada, se eu dei ela pro jogador e defini as regras tinha que lidar com isso da maneira correta, sem interferir diretamente no assunto. Nesse caso, era essencial que o jogador soubesse que perdeu o item por conta própria e não por minha causa. Quando o combate estava quase perdido, o portador resolveu por um fim na luta usando a lâmina angelical, o problema é que eles ainda não haviam descoberto o segredo envolvendo o boss desta masmorra. A intenção não era matar o inimigo porque ele era indestrutível. Existia um puzzle que eles vinham tentando desvendar desde que a luta começou, e que quando resolvido seria a solução para derrotar o chefe. Era bem simples na verdade, bastava que eles largassem as armas em sinal de rendição. Durante toda a masmorra existiam mensagens, pinturas, livros e outros indícios de que o templo onde estavam reagiria mal à violência ou atos profanos. O próprio boss falava constantemente sobre isso só que os jogadores não conseguiram entender a tempo.
Quando o jogador que portava a espada desferiu o golpe o inimigo foi destruído por um instante, só que alguns segundos depois ele ressurgiu mais forte do que antes (isso já estava previsto nas definições da masmorra). O portador da lâmina como consequência do uso da espada acabou caindo desacordado deixando ela cair no chão. Essa foi minha deixa para que fizesse o boss usar o turno dele para ir até a espada e quebrá-la em mil pedaços. No final das contas, eles demoraram muito mais tempo depois disso para desvendar o segredo de como derrotar esse inimigo. E até lá, tivemos um minotauro guerreiro covarde que foi derrotado enquanto fugia como um cachorro (não foi perdoado por isso até hoje), um druida anão que teve a cabeça arrancada pelo boss graças ao minotauro fujão e eles só conseguiram resolver o puzzle porque o ladino elfo se viu encurralado, sem PVs e convencido de que não sabia mais o que fazer. Ele achou que seria legal dar um tom um pouco mais dramático pro que seria o fim da campanha e decidiu se render e se ajoelhar. Esse é sem dúvida o momento mais memorável dessa nossa campanha noob de RPG. O dia que os heróis venceram porque foram miseravelmente derrotados.
Concluindo, eu só gostaria de salientar o quanto eu gostaria de ter descoberto esse universo mais cedo. Eu e meus amigos ainda somos muito iniciantes, comecei a ler sobre D&D por exemplo somente algumas semanas atrás e ainda tenho muito o que aprender como jogador e principalmente como mestre. Eu acredito que as gerações que estão vindo acabam não conhecendo esse jogo justamente por causa dos mesmos motivos que eu e meus amigos nunca jogamos, nem quando éramos mais novos. Eu espero que esse texto possa despertar essa vontade, mostrar que não precisa uma tela 4k com um hardware de 5 mil reais pra ter uma experiência de jogo completa e incrivelmente divertida.
Aceito dicas, críticas e tudo que vier aí, o importante é continuar aprendendo.
Obrigado a quem leu, um grande abraço!
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2019.05.03 01:05 mathsp Me dem dicas do que fazer

Eu tenho 14 anos uma vida normal eu tudo que eu quero, eu não tenho é o que reclamar, só que tem algo me incomodando muito que é em relação a minha escola que também é muito boa excelente educação etc, só que o problema tá relacionado a minhas amigas eu passei a vida minha vida inteira perto delas e convivendo com elas só que agora que elas tão com 14 elas estão estranhas mais especificamente a minha prima e a minha melhor amiga, a minha prima viva comigo perto de mim éramos quase irmãos, só que de repente ela se afastou de mim parou de falar comigo e me esqueceu, ela tá sempre me ignorando, eu não sei se ela tá brava comigo, se eu fiz alguma coisa, mas ela simplesmente parou de falar comigo. Já a minha melhor amiga sempre foi estranha e eu já estou acostumado, só que do nada ela ficou super infantil qualquer coisinha que fala ela levava pro lado pessoal e ficava brava, qualquer coisa mesmo e isso tá muito chato na maioria das vezes não dá pra ter uma conversa decente com ela, no começo do ano nos estávamos bem afastados, mas nos juntamos de novo eu achei que ela tinha melhorado, mas só me decepcionei. Conclusão eu já não tô mais aguentando elas estão muito chatas e já não sei o que fazer e tipo eu não quero me afastar delas elas fazem parte da minha infância elas me ajudaram quando ninguém mais ajudou,todos os trabalhos eu fazia com elas, eu também percebi que mesmo não quero eu tô me afastando delas, esse vai ser nosso último ano juntos e eu quero manter uma boa amizade e as outra meninas que convivem como são super legais e todos os meu amigos falam que não tão mais suportando a minha prima, e que a minha melhor amiga tá muito chata, eu não posso simples falar com ela se não provavelmente ela vai levar para o lado pessoal e não falar mais comigo e a minha prima vai ignorar ou me atacar verbalmente me chamando de criança imaturo entre outros, eu sei que eu também mudei que esse período da vida é complicado, mas elas passaram do limite. Eu não sei mais com quem falar sobre isso, meu país falaram para eu falar com com elas, mas não adiantou nada, então vim pedir ajuda para vocês, o que eu devo fazer? (Desculpa se ficou um pouco confuso é que eu não gosto muito de tocar nesse assunto e esse é meu primeiro post)
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2019.04.20 04:05 roybatty_2049 Me sinto completamente desconectado da minha família. Não consigo lidar com como tudo mudou desde a chegada do meu padrasto

Olá, Brasil.
Sou lurker aqui do grupo há um tempo e, no meio de tantos desabafos com os quais esbarro aqui, decidi fazer o meu também. É algo que me deixa envergonhado e só dividi com uma ex-namorada que tive (com a atual nunca comentei) mas que me machuca bastante por razões estranhas. Bem, vou começar pelo fato em si: eu me sinto completamente separado da minha família, que eu vejo hoje como completamente irreconhecível e da qual não consigo me sentir parte de forma alguma. A culpa disso é do meu padastro, que não fez absolutamente nada de errado. Na verdade, ele é um cara bem maneiro, segundo a percepção geral. Até minha. E eu tenho total noção de que essa ausência de qualquer sensação de pertencimento é mais minha do que de qualquer outra pessoa.
Vou contar a história de forma cronológica, para vocês compreenderem.
Minha mãe e meu pai me tiveram bem jovens, ambos tinham 20 e poucos anos. Combinada, a situação financeira dos dois não era ruim. Meu pai e minha mãe passaram para concursos públicos de nível médio com salários de classe média quando tinham 19/20 anos. Como conseguiram essa estabilidade financeira jovens, decidiram casar. Meu pai biológico tinha um emprego melhor, minha mãe tinha um com uma remuneração menor como assistente administrativo.
Só que, quando eu tinha 2 anos (ela 23, ele 25), eles se separaram. Não foi uma separação amigável, na verdade foi bem caótica. Meu pai começou a fazer faculdade de Direito e o acordo na casa foi de que, uma vez terminada a faculdade dele, minha mãe faria um curso superior. Os dois fazendo trabalho + faculdade ao mesmo tempo não tinha condição, até porque tinham um filho.
O problema é que o casamento desandou. Meu pai traiu minha mãe, depois não cumpriu esse acordo de deixá-la fazer faculdade e ficava postergando, arrumando desculpas. Com o diploma de Direito, ele eventualmente conseguiu passar em um concurso bem melhor e com um excelente salário. E se divorciou da minha mãe tão logo recebeu a notícia de que tinha passado no concurso.
Houve um acordo para pensão de forma informal, mas meu pai vivia o descumprindo, atrasava. Dava um jeito de humilhar minha mãe sempre que faria o pagamento. Isso fez com que ela desistisse de cobrá-lo e eu tive uma infância bem braba: mãe trabalhando, dinheiro escasso, meu pai completamente sumido e a família da minha mãe é muito pequena, então tinha pouca gente para ajudar na criação. Minha mãe é filha única, minha vó materna tem uma saúde extremamente frágil já há algum tempo e meu avô materno a abandonou. A família do meu pai e meu pai nunca mostraram interesse na gente, era como se a gente fosse um acidente de percurso.
Minha mãe ganhava pouco, mas ao menos tinha a estabilidade de um serviço público. Por isso, conseguimos morar numa casa que fica na entrada de uma comunidade extremamente violenta na cidade onde vivemos, tinha uma boca de fumo braba a literalmente 200 metros da minha casa. Não dava para brincar na rua nem nada, nem tinha play.
Criança é criança, então na escola até que minha vida era tranquila. Mas, em casa, minha vida era muito ruim. Minha mãe tentava equilibrar o trabalho full-time comigo, então a casa vivia sempre bagunçada, a alimentação era ruim e não havia luxo. Era uma casa de um quarto só, então nem privacidade rolava direito e eu dormia na sala ou com a minha mãe no quarto. Tudo na casa era meio velho e eu sempre tinha a sensação de que morava numa casa inacabada.
Não faltava comida, mas o resto era bem escasso. Ganhava muita coisa de segunda mão, não tive videogame ou PC, não tinha muito programa na rua porque a grana era pouca e no bairro onde a gente morava as opções públicas eram muito ruins. Minha mãe tinha depressão. Na época, eu não entendia, mas hoje fica bem claro para mim. Várias vezes eu via ela chorando antes de dormir, ou sem forças para fazer nada o dia todo. E ela engordou bastante nessa época.
Essa merda toda me fez ter um carinho enorme pela minha mãe. Eu fiz questão de aprender a lavar louça, cozinhar, ir no mercado e na escola sozinho. Já com uns 10/11 anos, eu era mais independente do que muitos amigos que eu tenho hoje em dia. E isso fez a gente ficar muito próximo como mãe e filho. Não vou mentir, a nossa vida era bem triste, humilde e solitária. Mas nós tínhamos um vínculo de proximidade muito forte e eu me sentia na responsabilidade de tirar ela desse buraco, de ajudá-la.
Aí vem o plot twist inesperado, meu padrasto.
Meu padrasto conheceu minha mãe na adolescência, eles foram amigos por uns anos e depois do segundo grau acabaram perdendo contato completamente. Eles se esbarraram por acaso resolvendo problema em cartório. Ele quis se aproximar, os dois começaram a trocar mensagens pela internet (sim, na época inda era Orkut e MSN) e engataram um relacionamento.
Preciso aqui inserir um parêntese para que vocês entendam que tipo de pessoa é o meu padrasto. Estou falando de um cara bem inteligente, com quase 1,90 de altura, forte para caralho e rato de academia, só que mais calmo do que um monge tibetano e bem sucedido financeiramente e profissionalmente (não era ricaço nem nada, mas tinha uma vida bem confortável). Quando ele aparecia para pegar a minha mãe na nossa rua, parecia que um ator de TV tinha aparecido, a vizinhança inteira parava para vê-lo. Eu mesmo ficava chocado com a situação de tão estranha que era.
Até porque a mulher por quem ele estava nitidamente apaixonado era a minha mãe. Uma mulher bem acima do peso, deprimida, com um emprego ferrado e que morava na entrada de uma comunidade, mãe solteira. Não estou falando que ela não merecia ele ou coisa do tipo, mas era uma situação muito peculiar.
Eu sempre ficava esperando que ia dar uma merda muito grande. Que a gente ia descobrir que ele é um agiota (e eu sabia o que era um agiota porque um vizinho nosso se meteu com um e não foi bonito), um bicheiro, um golpista, qualquer coisa do tipo. Mas não. O cara era realmente aquilo tudo.
Quando o relacionamento ficou mais sério, foi a vez da pequena família da minha mãe e seu círculo de amigas no trabalho ficarem apaixonadas por ele. Todo mundo queria saber mais sobre ele, todo mundo queria conhecer e bater um papo, todo mundo queria pegar dicas de exercício e alimentação, todo mundo queria ouvir a opinião dele sobre alguma coisa, política, negócios. Era bizarro, eu acho que nunca vi alguém cativar tanta gente com tanta facilidade antes.
Eu gosto de comparar ele ao Gastão da Bela e a Fera, só que um bom Gastão, obviamente. Todos esses anos com a minha mãe, eu não vi praticamente nada que o desabonasse, muito pelo contrário. Ele ate ajudou muito ela. Ela recuperou a auto-estima, começou a praticar exercícios físicos, emagreceu e parecia ter rejuvenecido. Sério, minha mãe com 35 tinha cara de 50. Minha mãe com 39 tinha cara de não ter 30. Chega a ser chocante ver as fotos (e meio chato começar a conviver com amigos que acham sua mãe gostosa, mas isso é outro problema).
Ele até tentou, de maneira bem tranquila e respeitosa, se aproximar de mim. Eu tava no meio da adolescência e até deixei no começo, mas eu continuava achando quela situação muito estranha, continuava vendo aquilo como uma intrusão. Eu gostava dele, mas tudo parecia meio irreal.
Aí veio a merda: eu passei para uma faculdade em outro estado.
Nesse período de pouca conexão com a minha família, a sensação foi de que essa sensação de estranheza só aumentou.
O sonho do meu padrasto era ter filhos. E eles tiveram duas meninas. Se mudaram para um belo apartamento em um bairro de classe média alta da cidade. Minha mãe abandonou o emprego público dela e passou a administrar uma franquia que ele comprou para ela. E muito disso rolou enquanto eu estava fora. Toda vez que eu voltava para casa, parecia que tinha rolado uma revolução.
Adendo importante aqui: talvez chamem isso de frescura racial, mas vamos lá. Meu pai era negro, minha mãe parda ou morena clara, como preferirem. Eu sou negro. Meu padrasto é branco em outro nível de brancura, as duas filhas que ele teve com a minha mãe são bem brancas também. Pode parecer besteira, mas isso aprofunda ainda mais essa sensação estranha de não pertencimento. Eu me sinto o cara negro que caiu de para-quedas na casa de uma família de comercial de margarina.
E às vezes eu tenho a sensação de que o meu passado não existiu. Todo esse período de infância e boa parte da adolescência - de perrengue, de roupas herdadas de terceiros, de ir num mercado fodido sozinho enquanto minha mãe tava no trabalho, de ter a luz cortada algumas vezes, de nunca sair com os amigos da escola, de ter só minha mãe como companhia, de viver num bairro quebrado - parece que não aconteceu. É algo tão distante que parece um sonho mesmo.
No meio disso tudo, eu voltei para a nossa cidade depois de terminar a faculdade já tem um ano e me sinto completamente não-pertencente a minha casa. Eu mal reconheço a minha mãe (que agora administra muito bem essa pequena franquia, virou crossfiteira e tem uma animação de outro mundo), minhas irmãs me viram pouco até agora porque passei a maior parte do tempo em São Paulo, e meu padrasto, apesar de sempre tentar se aproximar, parece essa figura que "causou" tudo isso.
Eu não sou idiota nem mesquinho, eu sei que ele é um cara maneiríssimo, trouxe felicidade para a minha mãe, ajudou ela a se reencontrar e é bem correto. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho sempre a sensação de que ele roubou minha família de mim. Que parte da minha identidade se perdeu quando minha família se tornou algo completamente diferente com o que eu estava acostumado.
Eu me sinto extremamente frustrado de não ver minha família como família, e sim uma mãe que mal reconheço, um padrasto do qual não sou próximo e duas meninas que parecem viver uma vida completamente diferente da que eu vivi e que possivelmente vão passar pouquíssimos perrengues na vida.
O tempo todo, eu só penso em meter o pé de casa, mas sei que isso não vai resolver tudo. Mas eu queria muito ver a minha família como um ninho, como conforto, como um lugar onde você vai quando tá com problema ou para desabafar. Mas hoje eu me sinto completamente desconectado deles, o que me deixa puto, triste, vazio e frustrado.
E o pior de tudo: eu sei que eu estou errado. Mas eu sinto que roubaram a família que eu tinha. E nem preciso dizer que o almoço de hoje em família só aprofundou mais isso.
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2019.03.22 13:44 luttipfernan Quer ser meu amigo?

aham,ham.....cof,cof
E aí, seus putos!
BOM DIA, meus consagrados! Tudo bem com vocês?
Sabe quando vocês iam pra escola quando pequenos e chegavam lá e não conheciam ninguém, olhavam para o lado e viam alguém que tinha um lápis igual ao seu e falava: vamos ser amigos?
Então, a partir de um post criado esta semana pelo usuário u/SuperAgreement perguntando como as pessoas faziam amizades depois de adultos, uma galera começou a se manifestar e conversar entre si dizendo que sente falta de novas amizades e de ter alguém para poder conversar de tempos em tempos..pessoas quiseram mandar CV autenticado com foto para poder ter algum amigo com quem conversar. Consegui conversar com gente muito bacana, que só espera uma oportunidade pra fazer alguns amigos e ter algum suporte nesta vida.
A correria da vida, as obrigações que sufocam, a falta de trato social, ansiedade social, tudo nessa vida contribue para sermos pessoas sozinhas ou solitárias. Isso piora com o tempo. Depois de adulto, as oportunidades para fazer amigos só desaparecem. E, ainda que algumas pessoas se dêem bem com a solitude, a verdade é que a maioria de nós sente falta de amizades mais verdadeiras. Não o colega do trabalho que você vê todo dia, mas nem sabe da vida dele e ele(a) da sua; mas sim pessoas com quem possamos falar e contar nossos medos e fragilidades sem ser julgados por isso. Daí, vendo isso e pensando na internet como uma plataforma que pessoas comuns se reúnem em torno do que gostam (no nosso caso, o reddit) entrei em contato com algumas pessoas que haviam me respondido no post antigo e perguntei: " e se nós criássemos um grupo de pessoas que apesar de não se conhecerem, querem fazer novos amigos?"
Uma Duas Grande parte concordou que ideia tinha potencial e aí venho eu botar a cara a tapa para sugerir: bora ser amigos?
Ideia: Criar um grupo de apoio tipo Alcoólicos Anônimos a sua turma de escola no whatsapp ou telegram ou ainda discord (seja lá o que seja isso) para reunir uma galera com pessoas legais e bacanas que querem conversar, contar suas histórias, ouvir à dos outros, dar apoio e ser amigos. Fazer uma nova amizade, tendo algo em comum: ser inteligente usar o reddit. Sem preocupações sobre sua classe social, gênero, religião ou ideologia.
Regras: Sem zona. A ideia é fazer amigos. Não vale entrar no grupo para fazer marketing multinível, nem pra converter gente à sua religião, nem pra paquerar gente comprometida, nem pra vender herbalife. É pra estimular a empatia, conhecer gente e praticar o amor ao próximo, seja quem for. Só amizade!
Evite que uma pessoa tenha que ter o trabalho de te colocar na friendzone - será um grupo só de amizades. Só amizade!!
O grupo não teria preferência de tema, muito menos líderes (seremos amigos, não um culto). Uma vez dentro do grupo, todos têm direito a voz, podem falar e todos podem ouvir. Como uma roda de amigos em um buteco.
Sem putaria. Quer falar de sexo ou ver e mandar coisas relacionadas com sexo, procure o xvideos
O grupo seria tolerante e aberto: Sem manifestações de ódio - se você é homofóbico, transfóbico, xenofóbico, misógino ou filadaputa em geral/extremista procure ajuda outra turma. Vamos fazer uma amizade sem preconceitos. Toda liberdade de manifestação acaba quando agride outras pessoas, grupos, ideologias. Seja legal, por favor.
O grupo seria apartidário - nem lá, nem cá. Não deve ter torcida para ninguém, até porque política não é futebol. Discussões políticas seriam bem-vindas, desde que haja civilidade, p#rra!
Não pode xingar - Seja legal com amiguinho.
Não pode brigar - Seja legal com os amiguinhos.
Não pode falar que vai matar o amiguinho - SEJALEGALCARAIO!!
Caso tenha achado a ideia mais ou menos boa e precise/queira ter novos amigos, coloque sua resposta abaixo deixando claro sua opção de plataforma para o grupo e mais alguma coisa para ajudar a ideia a melhorar. Ajude-nos.
Se não gostou, fique calado.
Obs:essemedicamentonãodeveserusadoemcasodesuspeitadedenguepersistindoossintomasprocureummédico
Eu não estou nem prometendo,nem garantindo nada à ninguém. Isso pode dar certo, como pode dar errado. E se você só sabe ser filadaputa com outros, vai ficar sozinho de novo, sendo rejeitado novamente. Ninguém tem a obrigação de tolerar gente escrota. Se você é chato ou sacana, fique sozinho volte para escola e aprenda a ser legal!
TL;DR: Se você for uma pessoa legal, quer ser meu amigo?
EDIT: CRIAMOS UM GRUPO! QUEM NÃO RECEBEU MENSAGEM, NÃO SE DESESPERE. ENTRE EM CONTATO VIA DM.
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2018.10.04 07:49 seth_br Você gosta de histórias?

Se curte uma história curta de um garoto de uns 16 anos, talvez você esteja no lugar certo, eu não sou um bom escritor mas adoro escrever, vou tentar deixar toda a minha vida o mais claro e mais visível na mente de vocês possível.
Imaginem uma pessoa quieta, bem quieta mesmo, não conseguia nem abrir o bico para falar um simples "oi" para alguns parentes próximos, pois é, essa criança já viveu dentro de mim, por mais que vivesse quieto tinha uma imaginação bem grande mesmo, tipo sonhava com tudo o que via, queria ser muitas coisas, principalmente o Homem-Aranha foi o primeiro filme que assisti, aquele com o Tobey Maguire, gravado em uma fita cassete, puta merda eu assistia aquilo o dia inteiro, quem gravou na fita cassete essa obra prima foi meu avô mas aqui é muito pouco para eu poder contar sobre esse homem incrível, deixa para próxima.
Até aqui é uma vida maravilhosa cara mas as coisas começaram a mudar um pouco mais para frente com o passar dos anos, na 5° série apareceu a matéria educação física, maravilhoso não? Bom... não para mim, eu sempre fui o último ou um dos últimos a serem escolhidos na educação física, olha falando assim parece fácil mas eu lembro perfeitamente daqueles momentos, eles eram dolorosos me reduziam com muita força sobre o mundo, eu não sentia nem que eu era alguém que merecia estar naquele lugar, pois é cara... Se você tá aí com seus 12-15 anos não deixe de escolher alguém na educação física com frequência isso pode causar sérias consequências. Voltando então, na 5° série foi a época que o mundo começou a me f*der bastante, me sentia menos que todos os outros após isso mais ou menos na 7° série eu comecei a perceber como as coisas tinham mudado, minhas notas estavam ruim demais, eu era um péssimo atleta, me escondia em praticamente toda aula de educação física ( Estranho né? Haha) e eu pensava muito em uma coisa, a arte de colocar o seu órgão sexual em outro órgão sexual, acertou quem disse sexo, pois é eu estava com uns 12 anos e pouco e a arte de manusear a maçaneta era bem frequente, fazer o que? Hormônios a flor da pele.
Já da para observar o quanto foi destruído aquela vidinha boa né? Eu sei que problemas aparecem tanto escolares como também financeiros, porém estamos falando do psicológico, o meu não é mais o menos por conta de tudo que já aconteceu mas enfim vamos falar agora sobre a 8° série, as coisas se acalmaram, porém eu tinha uns 3 amigos no máximo, isso era um pouco chato em alguns momentos mas tudo bem, não tem o que reclamar, os caras eram totalmente legais e sempre tivemos uma relação muito boa, o problema é que esses 3 amigos era bem vagabundos por que era repetentes que entraram na minha sala, e é como dizem por aí "más companhias" mas eu ria tanto com eles, eram as únicas pessoas que eu me sentia confortável que estava preso à isso, sem eles eu não era ninguém. Bom a 8° série e 9° série ( agora o ensino fundamental tem 9 anos caso você não saiba) foi resumido entre esses amigos e alguns colegas que não eram tão próximos, já que eu era o alvo de zoação deles, mas enfim então eu me formei mas eu queria algo melhor para mim não queria continuar na escola chata e pacata de sempre, então fiz um vestibulinho para uma escola com ensino médio e curso de informática juntos e... Passei
Olha tenho que admitir os primeiros meses do 1° ano do ensino médio, foi como se meu coração pudesse bater de novo, eu acordava todos os dias bem ansioso para ir para a escola, sempre estava acordado antes mesmo do despertador. Toda essa alegria brotava de inúmeras pessoas novas que eu havia conhecido, não só da minha sala como também das outras, sério foi extraordinário o que estava acontecendo ali era como mágica, estava mais emocionante que a minha infância.
Mas a felicidade minha não dura muito não, com o passar dos meses as coisas apodreceram um pouco, eu estava gostando de uma garota, chorava feito um resto de aborto em casa por causa de mulher, eu comecei à desenvolver a minha apreensão e medo das pessoas que não converso e então meus dias voltaram a ser os mesmos, passar algum tipo de vergonha, errar em alguma coisa e ficar se martelando pelo resto do dia, arrependimento e passei a fazer algo muito, muito, muito merda mesmo, eu comecei a basear minha felicidade em ver a garota na escola, hoje em dia falando parece que era frescura gostar dela mas eu sou uma pessoa que pensa tanto que ela na minha cabeça já estava muito além, já era algo que eu precisava mais do que uma cocaína para um morador da cracolândia, mas graças a Deus com o tempo essa vontade pela garota começou a deixar de existir, eu tinha interesse em outras mas não deu em nada. Eu não falei mas é bom falar, eu nunca beijei nenhuma garota na vida, assustador para você ? Bom, não sei mas para mim depois de tentar tanto de colocar na minha cabeça de que isso é normal acabei me convencendo, um rapaz de virgem e que nunca beijou de 16 anos é normal, assim penso. Bem a minha felicidade após ter deixado de gostar da menina já era algo vagante eu não tinha ela, não era feliz, às vezes sim, é até mesmo confuso para mim e me perdoem se eu me enrolar um pouco a partir daqui por que tudo o que eu vivo com o tempo se torna nebuloso em minha mente como se eu não devesse lembrar.
Eu acabei fazendo bastantes merdas no primeirão, comecei a beber mas tipo não todo dia só quando saía com meus amigos, como nunca tinha bebido passei várias vergonhas, tipo bastante mesmo, eu ficava bem louco, eu mereci isso, fui um idiota do c*#!lho, bebia apenas para remover de mim a barreira de anti socialização e pânico que tinha da maior parte das pessoas e também por que estava louco para beijar alguma garota, qualquer uma, é claro que não consegui nada. Nossa, agora que parei e pensei que não me descrevi, bom eu sou um pouco gordinho, bem pouco mesmo não é muita coisa não, sou branco mas por conta do meu pai ser negro eu tenho um cabelo crespo ou encaracolado sei lá não sei descrever e acho que é isso, talvez consigam me imaginar pelo menos um pouco, ah se você gosta de saber altura, eu tenho 1,72 não sou alto mas tô na média pelo menos.
Um ano se passa e eu vou para o 2° ano, yeah! Agora entrou novas pessoas na escola, estou cercado de gente interessante, mais que antes, está na hora de recomeçar, yeah de novo! Como sempre o começo foi legal conheci bastante gente mas com o tempo eu fiz a mesma merda e comecei a me distanciar novamente de algumas pessoas, algumas eram legais até, agora sobre amor nesse ano... Teve uma garota aí mas não foi grande coisa, graças a Deus. Mas em alguns meses eu fiz de novo a [email protected] de gostar de uma garota e ficar completamente obcecado, meu Deus será que isso é uma síndrome por que é o que parece, minhas notas não estão boas e nem ruins, talvez eu tenha me tornado mais vagabundo ainda, mas depois dessas coisas que passei eu sei até falar um pouco sobre como passar sobre algumas coisas... Mas ainda vivo perdido, eu temo todos que eu tenho vontade de amar ou gostar, eu não sou um bom atleta ainda e não participo da droga da educação física ( maldita educação física ) ou seja eu estava completamente querendo consertar tudo, voltar atrás, queria ser o Marty McFly e pegar o Delorean a fim de consertar o passado, mas como não sou o Marty, tudo o que eu poderia fazer era me lembrar o que houve comigo durante os anos então pensei em escrever algo e aqui estou eu.

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2018.09.08 19:37 CheiroDeTerraMolhada Vocês já foram num evento sozinho?

Galera, amanhã vai acontecer o último dia da GameXP. Eu consegui descolar uns ingressos, mas o amigo que ia comigo não.. Conclusão, eu to indeciso entre ficar 9h num evento sem ninguém pra conversar, ou perder o meu primeiro convento, junto com os 250 R$..
Sei q parece uma decisão bem boba, mas eu sla, me sinto triste e medroso ao mesmo tempo. Sempre fui o cara tímido, mas as pessoas me tratavam bem, mas agr, nesse ano que entrei num curso técnico; descobri que provavelmente eu sou um puta escroto. Já que eu conheci uma porrada de gente nessa escola e nenhum deles sequer olha na minha cara nos corredores.
O chato mesmo é que eu sempre tento ser uma pessoa agradável com todos, então eu realmente não entendo porque parece que todos me odeiam.. Tenho só uns poucos amigos, e agr, eles não poderão ir no tal evento cmg.. Tenho medo de passar o dia todo sozinho e ser uma tarde memoravelmente ruim. É chato pensar que não vai ter ninguém la cmg pra rir de alguma coisa, ou bater uma foto pra mim com alguém ou numa atração lá..
Mas enfim, queria saber se vocês já sentiram ou passaram por isso tmb, e como foi.. obg ae..

[edit] Real, não vou perder essa oportunidade foda, mas vcs tem algum conselho do que fazer e, principalmente, não fazer? Acho que realmente não teria tanto problema, mas a questão mesmo é se vai ser divertido, ou como tornar divertido . .
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2018.08.11 08:44 daveolrb (textão)Queria ser uma pessoa mais interessante (ou, como se desprender dos problemas do passado)

TL;DR: sou sem graça e ninguém quer ser meu amigo.
É engraçado como a vida prega peças na gente desde que nascemos e poucos se dão conta que nossos problemas do futuro são frutos muitas vezes de "pequenos detalhes" de algum momento difícil do nosso passado. Falo isso porque essa semana parei pra entender melhor minha vida, a vida de um jovem de 19 anos que mora com os pais e não tem nada além de um fórum de internet pra desabafar.
Indo (literalmente) ao começo de tudo, nasci com um problema pulmonacardíaco relativamente grave que basicamente me impediu de ter uma infância como a das outras crianças. Não brincava na rua, quase nao ia pra escola, basicamente não conversava com ninguém da minha idade e como na época nem computador minha familia tinha, (sobre)vivi uns bons anos da minha vida num tédio absoluto, sendo refém da TV e alguns livros que minha mãe conseguia comprar.
Quando cheguei ao ensino médio, pensei comigo mesmo: "agora tudo vai melhorar, minha saúde está boa, vou conseguir ir com frequência as aulas e formar amizades de verdade, aproveitar a vida." Ahhh como é boa a inocência de um adolescente em puberdade. Depois de alguns meses, basicamente eu tinha virado aquele cara da sala que é "colega de todo mundo", ou seja, não fazia parte oficialmente de nenhuma panelinha mas conversava esporadicamente sobre assuntos diversos com todos. Amizade mesmo, daquelas que você realmente tem uma conexão, nenhuma. Era só tocar o sinal de saída que minha vida voltava a ser insossa como de praxe.
Finalmente, chega o vestibular. Passei em uma faculdade de TI, área que sempre me interessei muito. Penso, já com pouca esperança: "talvez agora eu arrume umas amizades legais, afinal vai ser um círculo de pessoas com pensamentos parecidos". E posso dizer pra vocês que, realmente, a faculdade é diferente de tudo que já experimentei. Todo mundo é um pouco mais adulto e mais conversativo, e vejo muita gente parecida comigo em certos aspectos. Consegui amizades mais "verdadeiras" que todas até então na vida, amizades que pela primeira vez me convidaram para coisas simples, como ir ao cinema com eles, e até coisas mais impensáveis então pra mim, como ir pra balada/bar durante as viagens do curso.
Você deve estar pensando, porra OP, então sua vida está muito boa agora, isso é um puta post de superação!! A verdade é que não. Após um tempo no curso, percebi que minha vida cotidiana continua mais do mesmo, uma bosta. Ninguém conversa comigo, meu celular só recebe notificação de operadora, as tais amizades nesses momentos de férias simplesmente somem, moro num bairro sem nada pra fazer, distante do centro da cidade, enfim.
Nessas horas bate uma tristeza horrível, mas já estou acostumado com isso. Estou tão acostumado que acho que a raiz do problema é provavelmente eu mesmo. O que percebi é que minha solidão na infância me transformou num adolescente esquisito, tímido, calmo demais, que não sabe puxar papo com as pessoas, etc.
Basicamente o que eu percebi é que eu sou uma pessoa totalmente desinteressante. Sério, sem brincadeira, eu não sei se teria amizade com alguém parecido comigo. É isso, eu simplesmente sou chato, sem graça. A vida me moldou assim, e não posso culpar os outros por não me acolherem na vida deles, é uma escolha deles, com razão.
Definitivamente não era isso que eu esperava de mim mesmo aos 19 anos. Errei, fui iludido pelo meu senso de positividade, mais de uma vez, mas agora estou dando o basta! Estou aceitando o que eu sou atualmente, estou aceitando que não adianta ficar culpando a sociedade pela solidão que ela te causa quando na verdade a maior solidão está dentro de mim mesmo, entranhada, como um vício, e é meu dever superar essa solidão da alma e me sentir confortável comigo mesmo antes de correr atrás de pessoas que me dêem conforto. Pensando bem, acho que esse é mesmo um post de superação.
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2017.08.22 23:15 jogafora4 Gratidão

Oi reddit.
Já peço desculpas, acho que exagerei e acabei escrevendo demais. E este post não é um desabafo propriamente dito, é mais uma mensagem pra quem interage de alguma forma com os desabafos do sub (seja lendo, enviando ou comentando).
Primeiro queria falar um pouquinho sobre mim. Eu sempre fui muito fechado, então eu nunca desabafei com algum amigo ou pessoa próxima a mim. Sempre fiz isso anonimamente pela internet. Tenho feito isso há 4 anos, que foi quando eu comecei a me sentir super incomodado com a minha situação. Já passei pelo yahoo respostas, por um site de perguntas anônimas que esqueci o nome, por grupos/páginas de facebook (obviamente com contas fake), e por fim, pelo reddit. Não só eu pedia ajuda, mas também tentava ajudar os outros sempre que possível (não só o fazia porque eu detesto ver gente triste, mas também na esperança de fazer novas amizades).
Essa experiência me trouxe muitas conversas com muitas pessoas. O chato é que só uma durou até hoje (talvez duas, vai). Mas o tempo que eu passei conversando com essas pessoas foi valiosíssimo. Não só por me fazer sentir um pouco menos solitário. Me fez crescer, me fez aprender bastante sobre a vida e sobre mim mesmo.
Meus principais (talvez até os únicos) problemas são a solidão e a baixa autoestima. Foi graças à elas (e à minha incapacidade de fazer amizades) que esse meu ciclo de desabafos começou. Mas ao contrário de muitos users daqui do reddit:
Não fiz a listinha acima querendo incentivar a comparação entre os problemas dos outros. Cada pessoa tem seus próprios problemas, e cabe a cada um de nós "definir" a gravidade desses problemas. Devemos medir os nossos problemas na nossa própria régua, e não na régua dos outros. Fiz a listinha acima pra mostrar que ler os desabafos de outras pessoas me ajudou muito, não só pela sensação de não estar sozinho nessa e de que essa merda não acontece só comigo, mas também me ajudou a ver que minha situação não era tão ruim quanto poderia ser. Me fez cair a ficha de que eu não estava realmente no fundo do poço. Isso me deu uma perspectiva muito melhor pro futuro e serve de motivação pra eu seguir em frente.
Então deixo isso como conselho pra quem não está muito bem, principalmente para aqueles que têm (ou acham que têm) depressão. Tire um tempo para se conhecer um pouco melhor, e para conhecer um pouco melhor as outras pessoas. Tente ler outros desabafos, por exemplo. Se algum user te chamou a atenção (seja pelo desabafo ou pelo comentário), dê uma olhada nos posts e comentários dele, pra conhecer ele um pouco melhor. Você pode descobrir melhor o que a pessoa está passando (e talvez até mesmo se identificar com a pessoa, e puxar conversa com ela e etc), ou então pode descobrir o que a pessoa fez para melhorar de vida. Tente aprender com as outras pessoas. Conhecimento sobre a vida (e autoconhecimento, é claro) é sempre bom. E mais: todos esses conselhos que o pessoal geralmente dá para quem tem depressão ou está triste (ex: vá a um médico, faça academia, se alimente melhor, adote o nofap, và a igreja, faça coisas que goste, faça coisas produtivas, saia mais de casa, mete o louco) são válidos, sempre dá pra extrair algo de bom deles, se você se permitir. Por exemplo, o ateu pode acabar recusando o conselho de ler a bíblia, mas esquece que ela se trata não só de historinhas que ninguém sabe se realmente aconteceu, mas de valores e ensinamentos que podem ser bons pra muita gente.
Eu creio que sou um exemplo disso que eu mencionei no parágrafo anterior (de user que tem muita coisa de desabafos no seu histórico do reddit). Criei essa conta aqui no começo do ano, só pra desabafar. Eu sinto que eu cresci bastante nesse tempo, só de não pensar mais na minha própria morte eu já considero uma puta de uma vitória (meu post mais "popular" é uma discussão sobre eutanásia para pessoas depressivas, ou seja, eu queria que pessoas depressivas pudessem legalmente optar pela própria morte, mas acabei percebendo que é a própria depressão que me fazia querer morrer). Inclusive, recentemente até fiz um breve post comentando sobre esse meu crescimento, e nos comentários desse post estão os conselhos que eu preciso para seguir em frente. Eu acho que eu encontrei as ferramentas que eu precisava para virar o jogo, daqui pra frente o que eu preciso fazer é agir. Meu char já está bem equipado, tá na hora de enfrentar o boss.
Acho que meu ciclo de desabafos chegou ao fim. E não sei se tenho forças para continuar usando essa conta pra responder desabafos, pois sinto como se eu estivesse cada vez mais frágil: o sub está tendo uma enxurrada violenta de desabafos, e eu não estou sabendo lidar com tanta tristeza e sofrimento alheios. Mas esta conta não vai ser deletada, quero deixar ela aqui para documentar a minha jornada, para eu continuar respondendo as mensagens do meu inbox (que continua aberto a todos) e para que outras pessoas possam aprender um pouco comigo e com as pessoas que me ensinaram. Sempre serei muito grato a todos que me ajudaram, a todos que trocaram conversas comigo e a todos que pelo menos leram algum desabafo/comentário meu. Você certamente contribuiu comigo de alguma forma, e eu espero ter contribuído contigo de alguma forma.
Obrigado, reddit.
Um abraço do seu amigo,
ikki
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2017.08.12 20:28 joereis1983 E ae, vamos falar de pai.

Vamos falar de pais. Acho que pais são pouco valorizados, talvez por serem os responsaveis pelas feridas mais comuns. Conheço muitas mães solteiras, que odeiam o ex e sempre o acusam de total abandono com os filhos, e possivelmente em sua maioria tem razão, mas acho que muitas mães isolam os filhos do contato com o pai. Mas não entremos nesse mérito. Vou falar do meu pai, talvez seja longo, talvez seja chato e talvez eu sofra um ataque dos ninjas cortadores de cebola, mas um cara fez esse tópico, então acho valido o meu.
Eu sou o primeiro filho do segundo casamento de meu pai. No primeiro ele teve 6 filhos aos quais eu tinha rarissimo contato na infancia. Ele era um sujeito simples, humilde e muito trabalhador. Lembro de bons momentos com ele. Quando bem criança, acho que com uns 5 anos, lembro de brincar no chão da sala e ele chegar do trabalho, com aquelas botas preta, e sentar no chão para brincar comigo. Enquanto minha mãe colocava a jantar no prato, para ele. Lembro ainda de brincarmos de cavalinho, de rolarmos pelo tapete, dele passar a barba em mim para fazer cocegas. Ele era muito divertido. Lembro também das gargalhadas que davamos ao assistir as video-cassetadas e em seguida, Os Trapalhões. Nessa época, meu pai também foi alcoolatra, ele bebia muito. Frequentemente ele não voltava para casa, parava no bar do Bill, no Parque Meia-lua em Jacarei, onde moravamos. Nesse bar, se passava a noite bebendo e jogando conversa fora, durante a madrugada, passava em casa, tomava um banho e partiu trabalho, lógico, sem antes ouvir minha mãe falando muito no ouvido dele.
Meu pai nunca deixou faltar algo em casa, tinhamos o suficiente, eu tive uma vida melhor que a dos meus irmãos mais velhos. Talvez até houvesse uma magoa deles com isso, porém, ele sempre ajudou eles, mas o que me parece, a mãe deles não usava totalmente para gerir a casa, mas não me lembro, só ouvi isso depois de velho. Tenho momentos com meu pai que são inesqueciveis de verdade que ajudaram a me moldar.
1) História longa com TL,DR ao final. Depois de aposentado, por invalidez devido a uma doença no coração, causada pela doença de Chagas, que pegou possivelmente nos dormitórios das obras onde ele trabalhou pelo pais. Ele resolveu trabalhar mesmo assim, devido ao fato de não conseguir ficar parado. Nessa época, moravamos em uma favela chamada Rio Comprido, que fica em frente a Unip de São José dos Campos, para quem anda pela via Dutra naquela região, é facil identificar o lugar, pois é bem visivel. Então ele arrumou um trabalho como atendente de um bar ao lado da Churrascaria Gaucho, em Jacarei, outra vez, na beira da Dutra. Aquele local era um ponto de prostituição, devido ao movimento de caminhoneiros. Durante os finais de semana e férias escolares, eu ia com meu pai para esse bar, para ficar com ele. Ele trabalhava a noite. E a frequencia de figuras bizarras era notória. Eu tinha uns 12~13 anos, e sinceramente, fora os desfiles do programa Silvio Santos, não tinha muita idéia do que era um trans. Pois bem, uma cliente que frequentava sempre o bar, era a Michele, uma garota realmente bonita, sempre com roupas curtinhas, decotes, bem maquiada. Meu pai ao perceber que eu olhava sempre pra ela, me indagou:
Fiquei embasbacado. Não conseguia entender bem o que era aquilo, e pensei muito naquilo o tempo inteiro. Na noite seguinte, meu pai, enquanto estávamos la, chegou Michele, o bar estava bem vazio, era começo de noite ainda. Ela encosta no balcão, decote em exibição, me cumprimenta com o "oi garotinho" de sempre. Eu devia estar roxo no momento (uma vez que nós, negros, não ficamos vermelho). Meu pai, com aquele jeitão zueiro dele, encosta perto e começa a falar com Michele.
Caras, podem me zuar, dane-se. Eram seios lindos. Meu pai perguntou se ele podia pegar. Com o positivo, deu uma buzinada, e eu ali, sabe-se la como, eu ainda estava la. Então Michele, perguntou para mim, com os seios para fora:
Obviamente, sem emitir o menor ruido, sacudi a cabeça com um não. Cara, eu estava em panico. Ela puxou minha mão e pôs no seio dela, dei um sorriso amarelo, rigido, envergonhado e uma leve buzinada, era realmente muito frio, mas, lembro de ter gostado Após isso, ela falou pro meu pai que quando achasse que era hora de dar um presentinho para mim, chamar ela. Ele deu risada e falou, sai fora meu, ele não gosta disso não. E ela foi embora rindo alto kkkkk. Falei pro meu pai que fo sacagem fazer aquilo, ele disse que era besteira, só que não devia contar pra minha mãe por que senão ela ia encher o saco. Detalhe que minha mãe aparecia la as vezes e sempre via ela dando risada com a Michele e outros travecos, mas nunca soube.
TL,DR: Meu pai proporcionou uma buzinada na teta de um trans em 1995.
2) Aos 13 anos, pouco tempo depois da história anterior, nos mudamos para um chacara numa região praticamente rural daqui de sjc, onde meu pai era o caseiro. Havia pouco trabalho, era bem tranquilo e eu passava os dias vindo da escola e assistindo filmes em vhs que alugava com dinheiro da minha mesada. A unica obrigação que eu tinha era de alimentar todos os bichos e recolher os ovos das galinhas. Eu ja não me dava muito bem com minha mãe, então lembro de uma discussão dela com meu pai, onde ela queria que ele cortasse minha mesada, pois eu era muito atoa, ajudava pouco e tudo mais. Implicancia dela. Era uns 60 reais por mes. Então ele falou pra ela que preferia que eu fosse atoa e ficasse em casa vendo meus filmes, lendo e estudando do que ser igual os filhos do Fernando. Fernando era um amigo do meu pai que teve uma vida semelhante a dele, ambos foram metarlugicos, e Fernando batalhou muito na vida, teve 3 filhos, sendo que o mais novo era da minha idade, e todos estavam preso. Meu pai veu Fernando definhar com essa situação, dia a dia, se afogando no alcool. E indo visitar os filhos aos finais de semana. Até um dia que sofreu um derrame e ficou invalido em cima de uma cama.
3) Quando meu pai teve o segundo enfarto.
Ele ja havia tido um enfarte e ficou hospitalizado acho que uma semana ou mais. Então ele teve o segundo, foi bem pesado. Ele foi encaminhado ao hospital e ficou entubado na UTI por um tempinho. Eu olhava ele pela janela, via um desespero nos olhos dele. Quando o médico transferiu ele para fora da UTI, na primeira oportunidade, tirou o avental, se levantou, pegou a carteira e go home. Ao chegar em casa, minha mãe brigou com ele, que estava meio fraco, então ele falou algo que eu acho que sinto igual. - Você tem que prometer que caso eu fique entubado daquele jeito, dependendo de aparelhos para viver, vc vai mandar desligar tudo. Aquilo não é vida, aquilo é pior que a morte.
4) Quando eu matei um cachorro.
Essa eu ja contei aqui. Nessa chacara, em um momento chegamos a ter 13 cachorros, Pinscher, Boxer, Pastor Alemão, Fila, Vira Latas e até um Huskie. Meu pai adorava animais e sempre que achava um cachorro judiado, ficava com dó e trazia. Pois bem, o Fila (o cão mais agressivo que eu ja tive contato.) brigava com os outros e numa briga com o Pastor Alemão, ele teve um rasgão perto do ouvido. Como não tinhamos acesso a veterinarios, e sinceramente, anos 90 não havia tantos. Fizemos o de sempre, meu pai imobilizouo cachorro, eu senti em cima e passamos aquele spray roxo que não sei o nome, mas servia para tudo, pois até em mim ele ja passou aquilo. Liberamos a fera e vida que segue. Sempre davamos uma olhada e reaplicavamos esse spray, mas é preciso ter a noção, que o Fila é uma raça que tem um certo excesso de pele. Isso é um Fila. Então, possivelmente uma mosca varejeira sentou no machucado e soltou alguma larva. E devido a proximidade com o ouvido, as larvas entraram para la. O fato foi que quando notamos, colocamos outro remédio, alcool, até uma combinação de matos que um velho indio da vizinhança fez, foi tentado e o cão cachorro não se recuperou. Começamos a trata-lo com um remédio para dor e até que se perdeu o efeito. Então ele parou de comer e de beber, meu pai disse, vou sacrificar ele. Eu tinha uns 13~14 anos, falei para ele, deixa comigo. Assumi a responsabilidade pois meu pai ainda não estava totalmente recuperado, ele tinha muito carinho pelo fila, pois era semelhante a um que ele teve na infancia. Ele apenas me autorizou depois de minha insistencia. Então me orientou a cavar a cova, fui perto das arvores cavei. (Caras, é muito falso as cenas desses filmes, onde alguém consegue cavar uma cova sozinho, rapidamente.) trouxe arrastando o fila, que só grunhia e coloquei no buraco, olhei para ele, voltei para casa, tomei uma agua e disse ao meu pai que só faltava terminar, ele deu uma olhada pra mim, olhos meio marejados, deu um ok. Pensei que talvez ele fosse querer dar uma ultima olhada... Mas não, fui la, olhei pro Fila, estava respirando ainda, com o olho aberto, então peguei a enxada, com medo de não conseguir em só um golpe, levantei o mais alto que pude, com a parte detrás da enxada virada para o cão, e bati com toda força possivel. Uma pancada tão forte que eu ajoelhei, e ae chorei, aquele choro amargo, meio entalado, ainda tentando segura-lo... . Me senti mal mesmo, levantei, puxei a enxada que havia ficado afundada no cranio, ela ficou presa, então coloquei o pé no focinho e forcei para sair. Cobri o buraco, ainda com o nó na garganta, fui me lavar e voltei para casa, meu pai perguntou se estava tudo bem, respondi que sim, mas essa foi uma das sensações mais dura que ja tive. Mas me ensinou muito, amadureci muito aquele dia.
5) Quando ele morreu.
Meu irmão, tinha 7 anos e eu ja tinha 15. A gente brigava muito e meus pais protegiam muito ele, logo, isso me revoltava. Meu irmão era sempre grudado com meu pai, para onde ia, sempre levava ele junto. Nesse dia, meu pai acabou optando por ir de manhã ao banco receber a aposentadoria, e não ir a tarde, como fazia tradicionalmente. Ele pegava meu irmão na escola, e ia ao centro para isso. Mas nesse dia ele mudou de idéia. Tinhamos discutido e estavamos sem nos falar a cerca de uns 5 dias. Então ele foi, se sentiu mal, enfartou, caiu e bateu a cabeça. Segundo o médico, não deu nem tempo de sentir dor. Eu estava em cima de uma arvore tirando jaca, quando percebi a correria da cachorrada para o portão, sinal que alguém estava chegando. Fui até la e era minha mãe com o patrão do meu pai. Ja foi sinal que algo havia acontecido. Minha mãe me abraça chorando, e me avisa. Me senti muito mal cara. A sensação que eu senti naquele eu consigo me lembrar até hoje. Pegamos meu irmão na escola, e vendo as condições de minha mãe, pedi para que eu contasse ao meu irmão. Levei ele para um canto, falei o quanto amava ele, que o pai gostava muito e tinha muito orgulho. Falei que sabiamos que ele tinha o problema cardiaco e ele acabou morrendo. Meu irmão de cabeça baixa, vi os olhos dele, são castanho claro, pingou algumas lagrimas na terra, dei um abraço. Ele segurou o choro, disse que pena, ficou triste. Acho que isso que deve ter afetado a situação dele hoje, com depressão e sem rumo. Lembro que durante o velório, foi a primeira vez na vida que vi todos meus irmãos juntos, incluindo o mais velho, que se tornou um grande homem. Meu pai tinha um anel grosso, grande, feito por ele na época que era metalurgico e ficou comigo. Alguns anos atras, entreguei ele para esse meu irmão. Hoje completam 18 anos que isso aconteceu.
Lembro de muita coisa boa dele, claro, teve coisas ruins tb, afinal, ele era um homem de seu tempo. Ele ja bateu em minha mãe, traiu ela trocentas vezes, tinha algumas posturas machista. Mas mesmo assim, era o meu herói. Ele dizia que um dia eu teria meus filhos e saberia como é complicado ser pai. Dito e feito. Acho que o pior, dele não estar mais aqui é fato que eu gostaria muito, muito mesmo, que minha filha tivesse convivido com ele. Quando ela era mais nova, antes de ser aborrescente, ela tinha muito dele. A gargalhada, o bom humor, o gosto pela bagunça... mas ae virou aborrescente e estragou. Sobre ser pai, vcs que ainda não são e talvez sejam um dia, saibam que não é facil e sempre tentamos fazer o melhor por vcs. As vezes, até o "não se importar", que vcs acham que pensamos, é para vocês ja irem aprendendo com suas próprias decisões. Quando se é jovem, se sabe tudo sobre a vida, acho o que minha filha mais fala, quando eu aconselho é "Eu sei paiiii.". Eu falava a mesma coisa, ae vc se torna adulto e todas as certezas viram duvidas. Acredite, ser pai é muito mais dificil que ser filho. Acreditem.
Abracem seu pai ou aquele que vc quer bem e não sejam covardes. Digam que amam, beijem, abrace forte e aproveitem, amanhã pode ser que ele não esteja ae, assim como o meu.
E vcs, querem falar sobre seu pai? Aproveitem.
Abraços Redditor.
**** ocultando nomes
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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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2016.05.12 19:54 marcusbright Uma odisseia - Como consegui bolsas de estudo para os EUA, França & Austrália. Texto longo.

RESUMO:
Nasci em São Luís do Maranhão, e sempre quis trabalhar com cinema. Em 2010 consegui uma bolsa de estudos 100% para estudar em uma das 10 melhores escolas de cinema dos EUA. Em 2014 retornei para o Brasil, e voltarei para os EUA em Agosto para cursar Mestrado na mesma universidade, também com bolsa integral. Desta vez o plano é ficar por lá e conseguir residência fixa.
 
Sempre que falo que estudei nos EUA recebo as mesmas perguntas. Deixo aqui um apanhado das minhas experiências nos últimos 10 anos em relação à estudar fora. Já existem vários guias onlines sobre o assunto, mas são quase todos genéricos e não abordam as questões específicas. Por isso, vou ser bem detalhista neste relato, que deve fica bem longo.
Além do mais, muitas vezes a conversa online se resume em “Casei com uma Americana” ou “Tenho cidadania europeia.” O que, sejamos sinceros, não ajuda muito quem não tem essas coisas. O meu caminho foi o do estudo, e é um caminho que, em teoria, todos podem seguir.
 
Esse relato é específico para O MEU CASO. Você pode conseguir uma bolsa de um jeito COMPLETAMENTE DIFERENTE, que desconheço. Posto minha experiência aqui para servir como REFERÊNCIA de como foi que funcionou pra mim e como foi minha vida durante o processo. Também dividi o texto em seções para facilitar a leitura de quem procurar um assunto específico.
 
MEU BACKGROUND
Sou de família classe média, filho de dois professores. Então, até mesmo por influência dos meus pais, sempre tive um foco muito grande na minha educação. Sempre fui nerd. Gostava de ler e passava horas na Wikipédia caçando links e definições. Credito à essa curiosidade e vontade de ir atrás de informação todo o sucesso que tive na vida. Creio inclusive ser um perfil bem comum aqui no Reddit, visto que têm uma predominância muito grande de pessoas autodidatas, especialmente programadores, e pessoas que geralmente procuram se manter bem informadas.
Se você for rico, pra ser sincero, ir pra fora não é um problema. Existem mil maneiras. Entrar numa universidade qualquer lá fora não é difícil (com exceção das top, claro).
O difícil é pagar.
 
MINHA DECISÃO
Sempre quis fazer cinema. Sempre mesmo. Não tenho memória de nenhum momento na minha vida em que este não fosse meu sonho. Mas foi quando eu tinha uns 10 anos que concretizei meu objetivo: “Quero ser diretor de cinema”. Assistindo entrevistas com meus diretores favoritos na época, ficou claro que todos eles tinham feito curso superior na área. Nos anos seguintes, começei a ficar mais consciente dos cursos de cinema no Brasil, e os que mais me chamaram atenção foram os da USP e da FAAP, considerados os melhores do país. Mas algumas coisas me incomodavam no geral:
 
  1. Os cursos brasileiros eram em grande parte extremamente teóricos. Amo teoria, mas acredito que ela deve informar a prática e vice-versa.
  2. No Brasil, cinema tende a ser uma concentração nos cursos de Comunicação. Lá fora são cursos específicos de Cinema.
  3. Equipamento e instalações defasados.
  4. A indústria cinematográfica no Brasil não era praticamente nada comparada à de outros países.
  5. Aquele povo chato de humanas (sou de esquerda, mas pfv né?)
 
E, claro, eram todos cursos muito longe de São Luís, MA. Pensei: “Porra, São Paulo e Los Angeles são ambos longe pra cacete, vou tentar ir pra LA logo.”
 
ENSINO MÉDIO
Durante o EM, começei a focar minhas atenções acadêmicas no cinema. Começei a comprar livros e estudar muito a respeito de roteiro, decupagem, fotografia, edição, em fim, a me aprofundar no assunto.
Na escola, convenci minha professora de Redação a me deixar escrever roteiros de curtas ao invés daquelas redações insossas. Para minha surpresa, ela concordou.
Eu era muito caseiro e apegado à família. Quando expressei vontade de estudar fora, ambos meus pais acharam que eu devia fazer um intercâmbio de curta-duração antes, pra crescer um pouco e aprender a me virar sozinho.
No começo a gente ficou meio receoso do investimento, mas acabou que não foi tão caro e meus pais tinham um dinheiro guardado. Acabei concordando e fui parar no Kansas por um ano letivo.
Não tinha nada pra fazer no Kansas em termos de cinema. Mas fui bem na escola, e me dediquei muito à História Americana . Também participei de muitas atividades extracurriculares. Participei do clube de competição de trivia, robótica, estudos avançados, etc.
Também fiz o SAT e o ACT, que são os ENEMs americanos (ambos se focam em matemática e inglês) usados para ingressar nas faculdades. Fui medíocre em ambos. Fiquei no nível da média nacional.
Terminei o ensino médio no Kansas e voltei pro Brasil em 2008 com um diploma americano.
 
O PROCESSO
“E agora?”
Foi essa a pergunta que eu fiz. Estava de volta no Brasil, formado no Ensino Médio. Como chegar nos EUA?
 
OS OBSTÁCULOS
Comecei a entrar em sites de universidades americanas e me familiarizar com os termos, processos de admissão, assim como procurar as melhores escolas de cinema. Queria ter feito isso antes. Era tudo muito confuso. Termos como admissions, financial aid, scholarships, fellowships, tuition and fees, eram completamente estrangeiros pra mim.
 
Mas logo ficou claro que eu tinha dois obstáculos à superar:
 
  1. Ser aceito em uma boa escola de cinema.
  2. Pagar uma boa escola de cinema. A anuidade das grandes universidades giravam em torno de 40.000 dólares. O salário dos meus pais não chega nem perto disso, nem o que eu ganhava como freelancer. Eu precisava de uma bolsa 100% da anuidade, e as despesas pessoais (moradia, alimentação, transporte) a gente podia economizar durante um ano pra pagar.
 
Para deixar claro: o preço é esse mesmo, e hoje está até mais alto. E isso não é só pra estrangeiro não. Americanos também pagam essa soma ridícula. A diferença é que eles recebem bolsas do governo federal e podem tirar empréstimo estudantis com os bancos. Não é raro para os Americanos se formarem com dezenas (até centenas!) de milhares de dólares em dívida. De fato, essa é uma pauta cada vez mais quente, e muitos estão preocupados com essa bolha de empréstimos estudantil.
 
Nós, brazucas, não podemos receber auxilio federal e também não podemos tirar empréstimos nos bancos lá (a não ser que você tenha um fiador que seja cidadão Americano).
 
Eu não tinha nenhum fiador, e nem queria passar décadas da minha vida em dívida, então sobraram 2 opções:
 
  1. Conseguir uma bolsa 100% da própria universidade
  2. Conseguir uma bolsa 100% de instituições privadas.
 
CONSEGUIR BOLSA DA PRÓPRIA UNIVERSIDADE
Que eu saiba, todas as universidades americanas oferecem bolsas de estudos. Mas são majoritariamente bolsas parciais. Bolsas de 2, 5, 10 mil dólares. Bolsas integrais são o santo-graal das bolsas de estudos.
E aqui começa o primeiro empecilho sério pros brazucas.
Para ser considerado para bolsas de estudo, você precisa ser aceito na universidade.
Para ser aceito na universidade, você precisa provar que pode pagar por ela.
É isso aí, catch-22 total.
Você precisa provar pra escola que tem grana no banco suficiente pra te sustentar durante o primeiro ano de estudos (anuidade, estadia, alimentação, saúde). Isso é um requerimento do Departamento de Estado Americano. Só assim a escola pode te aceitar e emitir o I-20, documento que você leva na embaixada pra tirar o visto de estudante.
Já ouvi falar de gente que pede pra parente rico enviar um extrato bancário e coisas do tipo, só pra ser aceito e ser considerado pra bolsa. Eu não conhecia ninguém rico, e nem tenho a cara-de-pau de pedir algo assim.
 
Apenas 5 universidades são exceção. Atualmente estas aceitam qualquer estudante estrangeiro e se comprometem de cara a cobrir todos os gastos necessário para os estudos.
 
  1. Amherst College
  2. Harvard University
  3. Massachusetts Institute of Technology
  4. Princeton University
  5. Yale University
 
Estas são as cinco universidades que são need-blind e full-need para estrangeiros.
 
*Need-blind: não pedem prova de que você pode pagar.
*Full-need: se comprometem a cobrir toda sua necessidade financeira.
 
Infelizmente nenhuma destas universidades têm curso de Cinema. Então nem considerei.
 
CONSEGUIR BOLSA DE INSTITUIÇÃO PRIVADA
Se você não conseguir ser aceito com bolsa diretamente na universidade, a solução é ir procurar em instituições privadas.
Existem várias instituições com programa de bolsas. Desde empresas que financiam a educação para seus empregados e filhos de empregados, até fundações filantrópicas.
 
Aqui no Brasil, acho que a mais famosa é o Programa de Bolsas da Fundação Estudar: https://bolsas.estudar.org.b
 
O processo é muito chato e têm várias etapas. Entrevista por Skype, Entrevista em pessoa, Dinamicas de grupo (argh!), etc. É uma putaria sem fim. Sem contar que é tudo feito no eixo RJ-SP, ou seja, eu teria que pegar um vôo pra SP pra participar de cada etapa (que ocorrem ao longo de vários meses). Mas o que mais me irritou foi que não divulgavam os valores da bolsa. Podia ser integral, podia ser parcial. Mesmo que eu fizesse todas as etapas e ainda fosse um dos contemplados, ainda podia acabar com uma bolsa de só 20%. Ainda teria que arcar com o resto. Sem chance. Se você mora nessa região e não precisa se locomover muito para participar das etapas de seleção, pode ser uma boa. Eu nem tentei.
 
Outras fontes para encontrar bolsas são a Universia: http://bolsas.universia.com.b
O Rotary também oferece bolsas, mas não conheço detalhes: http://www.bolsas.academicis.org/2014/03/rotary-internacional-oferece-bolsas-de.html
 
E, finalmente, descobri o Programa de Bolsas do IBEU/IIE: http://portal.ibeu.org.bsou-ibeu/estude-nos-eua/ibeuiie/
 
O programa contemplava alunos de todas as áreas, guiava os alunos por todo o processo de admissão nas universidades, e articulava bolsas com as próprias escolas (hoje o site diz que são só bolsas parciais, mas tenho a impressão que é só para não dar falsas esperanças…)
O processo todo podia ser feito à distância, e eu só precisaria ir pro RJ para uma entrevista caso fosse um dos finalistas.
 
Ótimo. Me inscrevi.
 
Precisei enviar uma série de redações (essays) e testes acadêmicos. Listo abaixo cada dos itens.
 
  1. Study Objective: Esta é a sua Carta de Intenção. Você precisa delinear os seus objetivos acadêmicos. Qual curso quer fazer? Qual especialização? Por quê? Como você vai colocar esse conhecimento em prática na sua carreira? Você têm experiência relevante na área? Explique.
  2. Biographical Essay: Basicamente a história da tua vida. Onde você nasceu, seus pais, família, figuras que te influenciaram, eventos que marcaram sua vida e o tornaram a pessoa que você é hoje.
  3. Personal Essay: Essa é uma carta pessoal. O objetivo é mostrar para o comitê de seleção quem você é como pessoal, não aluno. Você pode falar de uma experiência importante na sua vida, um risco alto que você tomou, alguma questão local, nacional ou internacional que seja de grande importância para você; algum filme, livro ou obra de arte que deixou uma profunda marca em você, ou algum tópico de sua escolha.
  4. Cartas de recomendação: 3 cartas de professores, chefes de trabalho ou colegas de profissão.
  5. TOEFL: O teste de inglês usado para entrar em todas universidades americanas. Meu inglês já era fluente, mas precisei pegar um vôo para Belém para fazer a prova (não era realizada em São Luís).
  6. SAT: Esta prova eu já tinha feito no Kansas. Eu não tinha ido bem, mas não tinha grana pra fazer de novo. Custa caro. Então usei a minha nota baixa mesmo.
  7. 3 SAT SUBJECTs: Esta são provas complementares do SAT que se focam em diferentes disciplinas. Você precisa fazer 3 disciplinas. Tive que ir pra Brasília fazer estas... Escolhi fazer as provas de História Americana (achei que impressionaria o comitê), Biologia (meus pais são professores de biologia. Então foi sussa) e Espanhol (nunca tive aula de Espanhol. Mas depois de fazer um simulado percebi como a prova era fácil. Quase fechei. E fiquei parecendo trilíngue).
 
Depois de meses de ansiedade, recebi o e-mail comunicando que eu era um finalista e estava convocado para a entrevista no RJ.
 
Compareci à entrevista, super nervoso. Me perguntaram sobre várias coisas que mencionei nas redações, e no final me informaram que eu tinha feito tudo completamente errado na Personal Essay. Era pra escrever uma coisa pessoal mesmo, tipo, algo que você escreveria num diário ou uma carta para um amigo. Eu tinha escrito um ensaio sobre o status do cinema como literatura do séc XX… Eles me explicaram como era pra fazer e mandar de novo (e fizeram questão de dizer que acharam o ensaio muito interessante).
Na saida, retardado como sou, nervoso pra cacete, digo “Tchau. Boa Noite.” Era 1h da tarde.
 
Semana seguinte recebo a lista dos 15 selecionados, e vejo meu nome na lista. Aí começa o processo de seleção de universidade.
 
ESCOLHENDO A UNIVERSIDADE
O IBEU, que trabalha como representante do IIE (Institute of International Education), pede uma lista das universidades em que eu quero tentar ingressar. Eu, claro, dou a lista das melhores escolhas de cinema que conhecia. UCLA, USC, NYU e Columbia.
O IIE olha as minhas escolhas, olha as minhas notas, redações, testes, etc. e dá um parecer, tipo: “A USC é muito mesquinha com bolsas, e suas notas não são boas o suficiente. Ou, a NYU não dá bolsa nenhuma.”
 
Ao final, disseram basicamente que eu não tinha chances em nenhuma dessas escolas. Fiquei bem chateado. Mas eles ofereçeram uma lista de escolas mais de acordo com meu perfil, onde eu tinha mais chances de ser aceito com bolsa. Uma dessas escolas era a Chapman University, e procurando online logo descobri ser uma das 10 melhores dos EUA.
 
Acabei tentando minha sorte na Chapman e algumas outras de menos calibre. Acho que ao todo tentei em 6 universidades.
Fui aceito em 5 universidades, e recebi oferta de bolsas nas 5. Duas destas cinco eram 100% da anuidade. E uma destas era a Chapman. De longe a melhor escola na minha lista.
Foi assim que fui estudar cinema nos EUA em 2010. Ao todo, levei dois anos entre terminar o Ensino Médio e começar o Superior. Nesses dois anos, não tentei entrar numa escola brasileira e nem arranjei emprego fixo. Trabalhei em projetos pessoais e freelancer, fazendo curtas, escrevendo roteiros, editando projetos, construindo portfolio.
 
Reconheço que fui incrivelmente abençoado por pais que deixaram o filho passar DOIS ANOS seguindo um sonho impossível, e sei que nem todos têm esse privilégio. Se você ainda está cursando o EM, recomendo tentar já. O ciclo de admissões para as universidades Americanas leva o ano inteiro.
 
A FRANÇA ENTRA NA HISTÓRIA
Em 2010 começei meus estudos na Califórnia. Assim que cheguei na escola, percebi que ela tinha um programa de estudos no exterior muito forte. Cerca de metade dos alunos passavam pelo menos um semestre no exterior.
Conferindo a lista de programas e escolas parceiras, vi que a Chapman tinha parceria com uma escola em Cannes, na França. Um semestre, culminando com um estágio no Festival de Cannes. E o melhor, a minha bolsa da Chapman era transferível para a escola na França. Eu só precisava pagar a passagem aérea.
 
Conversei com meus professores e orientadores e tracei todas as disciplinas que eu cursaria em cada semestre ao longo de 4 anos. Queria garantir que passar um semestre no exterior não atrasaria minha graduação. Isso é importantíssimo, já que as bolsas Americanas são renováveis por no máximo 4 anos.
Planejei com 1 ano e meio de antecedência. Comecei a fazer aulas de Francês na própria Chapman (essas aulas contavam como optativas), e em 2012 fui pra Cannes falando um Francês intermediário-baixo. Passei 6 meses estudando um intensivo da língua, história da arte francesa, e viajando pela Europa.
 
DE VOLTA PARA OS EUA E PREPARAÇÃO PARA MESTRADO
Em Agosto de 2012 estava de volta na Califórnia.
À essa altura eu já estava pensando no que fazer após a graduação, já que o visto ia expirar e eu queria continuar nos EUA.
Não é fácil. Após a graduação você pode passar 1 ano numa autorização de trabalho provisória chamada OPT (Optional Practical Training). Basicamente, vc se forma e tem um ano pra adquirir experiencia de trabalho antes do seu visto expirar (2 anos em caso de ser aluno STEM).
Depois disso, pra continuar com visto de trabalho, vc precisa ter uma empresa disposta a te patrocinar e te contratar em tempo integral. É um processo caro e chato, então a empresa tem que gostar muito de você pra passar por isso. Cinema é uma área de freelancers. Então a possibilidade de conseguir uma empresa disposta a te contratar num salário fixo, em tempo integral, é muito baixa.
 
Ficou claro, por diversas razões, que é muito mais fácil conseguir isso se você tem um Mestrado, e ru já queria fazer Mestrado mesmo. Minha educação sempre foi motivo de orgulho e prazer, então um Mestrado sempre foi certeza.
 
Decidi: “Vou fazer Mestrado.”
À essa altura, eu precisava declarar uma concentração no curso de Bacharel. Uma especialidade (roteiro, fotografia, etc.) Era muito importante me formar em algo que serviria como BASE para desenvolver trabalhos numa pós. Isso é importantíssimos pros Americano. Se você quer fazer pós em Direito, por exemplo, faça graduação em Relações Internacionais, ou História, ou Literatura. Também era importante ser algo que eu pudesse usar para pagar as contas, fazer meus próprios filmes. Enfim, ser auto-suficiente.
 
Declarei meu Bacharel em Animação e Efeitos Visuais, com esperança de fazer Mestrado em Direção e Roteiro Cinematográfico.
A partir de então, eu fiz TUDO que pudesse para me tornar um bom candidato para curso de Mestrado. As famosas atividades extracurriculares. Escrevi críticas de filmes para o jornal da escola. Trabalhei como Supervisor de Efeitos Visuais em vários projetos de amigos (um inclusive venceu um BAFTA). Me inscrevi em um programa educacional da Chapman que me permitiu escrever um roteiro de longa metragem sob a mentoria de uma produtora vencedora do Oscar. Fiz disciplinas optativas em Lógica, Filosofia, História, Teoria do Cinema, Inglês, enfim, tudo tudo tudo. Fui tesoureiro de um clube acadêmico e ajudei a organizar eventos.
 
A FULBRIGHT
Em 2014 retornei ao Brasil. Foi uma decisão dificílima de fazer, e muitas vezes achei ter cometido um erro terrível. Qualquer pessoa com bom senso teria ficado nos EUA com o OPT e ralado para encontrar um emprego qualquer e torcer pra conseguir um visto. Eu nunca gostei de torcer pra nada, sempre minimizar o acaso. Achei que tinha mais chances de conseguir uma bolsa pra Mestrado do Brasil do que um trabalho nos EUA.
A minha grande esperança era a Bolsa Fulbright: http://fulbright.org.bbolsas-para-brasileiros/
Pra quem não sabe, o Programa Fulbright é o mais prestigioso programa de bolsas dos Estados Unidos. Eles dão bolsas para Americanos estudarem fora e para estrangeiros estudarem nos EUA. 54 bolsistas chegaram a ganhar o Prêmio Nobel. 82 chegaram a levar o Pulitzer.
A Fulbright têm um programa específicos para Brasileiros que querem cursar Mestrado em Cinema nos EUA. O processo é praticamente idêntico ao do IBEU (ambos são coordenados pelo IIE). Esse programa era meu alvo.
E o melhor, a Fulbright oferecia, em conjunto com a CAPES, além da anuidade: seguro saúde, transporte aéreo e bolsa manutenção. É o sonho.
Então enviei minha inscrição pra Fulbright.
 
Não passei nem para as etapas finais. Fui eliminado quase de cara.
 
Passei duas semanas deprimido. “Voltei pro Brasil só pra conseguir essa bolsa e falhei.” Encarei a realidade. Tinha perdido minha chance de ficar nos EUA. De volta à estaca zero. Me mudei para São Paulo pra tentar tocar a vida como animador ou algo da área.
Ao mesmo tempo, comecei a procurar programa de bolsas para terminar meus estudos em outros países. Depois de ver a qualidade do ensino lá fora, não queria mesmo estudar cinema no Brasil.
 
PRÊMIOS CHEVENING, ENDEAVOUR & ORANGE TULIP
Como os EUA têm a Fulbright e o Brasil tem a CAPES, imaginei que outros países deviam ter orgãos similares. Fui procurar e descobri que o Reino Unido tem o Chevening Award, a Austrália têm o Endeavour Award, e a Holanda têm o Orange Tulip.
Todos são basicamente a mesma coisa. O mesmo tipo de processo. Bolsas de Pós para facilitar o enriquecimento mútuo entre ambas nações.
 
O Chevening Award requer uma experiencia prévia muito grande na área de trabalho, e eu era apenas um recém-formado. Como a Fulbright, cobre praticamente tudo, incluindo ajuda de custo para materiais acadêmicos, custo da tese de mestrado, taxa do visto e alojamento, entre outros. http://www.chevening.org/brazil
 
O Orange Tulip é um pouco mais limitado. Criado em 2012, o programa oferece bolsas com valores fixos para cursos e disciplinas pré-aprovados. https://www.nesobrazil.org/bolsas-de-estudo/orange-tulip-scholarship
 
O Endeavour Award é diferente. Aceita alunos de todas as áreas. Alunos de curso profissionalizante recebem 50% da anuidade. Alunos de curso de Mestrado ou Doutorado recebem 100% da anuidade. Todos recebem passagem aérea, ajuda de custo de alojamento, bolsa manutenção (3.000 dólares por mês), seguro saúde e seguro viagem. https://internationaleducation.gov.au/Endeavour%20program/Scholarships-and-Fellowships/Pages/default.aspx
 
Mandei minha inscrição para a Endeavour, listando todas aquelas atividades extracurriculares que realizei, meus projetos, honras, prêmios, etc. Qualquer crédito que eu tivesse. E comecei a rezar.
5 meses depois recebo a notícia: Consegui a bolsa de 50% para um curso profissionalizante.
 
UM PRÊMIO MUDA TUDO
Pouco antes de receber a notícia da Endeavour, recebi outra notícia boa: O filme que fiz como TCC no curso na Chapman havia vencido um prêmio importantíssimo. Com esse prêmio, a Chapman me ofereceu outra bolsa integral para voltar e realizar meu Mestrado lá.
 
E isso me forçou a fazer certas escolhas difíceis. Agora eu precisava escolher entre voltar pros EUA, prum curso ótimo, mas custo de vida alto, ou pra Austrália, prum curso relativamente fraco, mas com bastante ajuda de custo.
 
Eu não queria voltar pra Chapman pro meu Mestrado. Até por pura questão de experiência, eu queria explorar um ambiente novo.
Mas…. beggars can’t be choosers. Além do mais, eu já tinha uma base na Chapman, de amigos, professores, administradores, reitores, que seriam uma imensa ajuda na hora de conseguir um emprego e conseguir um visto ou green card.
 
Por isso, rejeitei a oferta da Endeavour e aceitei a da Chapman.
Volto pra lá em Agosto pra começar meu Mestrado em Direção Cinematográfica.
 
E é isso.
 
CONCLUSÃO
Ufa! Não achei que fosse ser tão longo.
Ao longo desses anos, 3 coisas foram essenciais e me permitiram aproveitar as oportunidades quando estas apareciam.
 
  1. Planejar a longo prazo
  2. Apoio dos pais para me concentrar 100% nesses objetivos. Tive o luxo de não ter outras preocupações.
  3. Uma sede de informação. Foram muitos, muitos e-mails, sites e ligações telefônicas pra conseguir toda essa informação.
 
É possível que algumas coisas não estejam tão claras no texto quanto estavam na minha cabeça. Vou deixar o post aqui e continuar respondendo caso haja mais duvidas. Qualquer coisa edito o post pra atualizar.
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